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ARTIGOS
A visão cristã do
sexo
04/02/2012
09h
"A verdadeira educação
pretende a formação da pessoa humana (...). Por isso, é necessário que
as crianças e os adolescentes sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento
harmônico das qualidades físicas, morais e intelectuais, e à aquisição
gradual dum sentido mais perfeito da responsabilidade na própria vida.
E, portanto, formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida
que vão crescendo" (Declaração "Gravissimum Educationis", nº 1).
Diante dessa afirmação, acrescentemos alguns critérios que possam ajudar
a distinguir entre o certo e o errado numa reflexão mais aprofundada
sobre o assunto.
Certas atitudes diante do sexo estão marcadas por dois excessos,
errôneos e opostos entre si: o puritanismo protecionista e a
permissividade libertária. Ambos encaram o sexo de modo puramente
funcional, simples fonte de prazer. O primeiro para condená-lo, o
segundo para exaltá-lo acima de qualquer medida ou norma. Um e outro
consideram o pudor sob uma visão repressiva, ora alimentado pelos
mecanismos do medo na falsa mentalidade puritana, ora combatido do ponto
de vista da licenciosidade.
Uma concepção cristã distingue-se nitidamente destes dois lamentáveis
extremos e firma a posição original segundo o plano divino. Na Bíblia, a
sexualidade está ligada à imagem e semelhança do Criador como fonte de
Vida (Gn 1,28) e expressão da dimensão social do Homem, chamado a
constituir comunidade (Gn 2,18). A existência do pecado, separando a
Criatura de sua referência, que é Deus, introduz a divisão (Gn 2,5) e
acarreta à sexualidade consequências desastrosas. A relação sexual
torna-se ambígua. Embora fundamentalmente boa, sofre os efeitos da
desobediência à Lei do Senhor. Sem os valores absolutos que lhe dão
sentido, divide e desorienta o homem.
Apesar de observâncias rituais ligadas a determinado contexto histórico
e cultural, o Antigo Testamento jamais põe em dúvida a importância do
relacionamento sexual autêntico através do matrimônio. Pelo contrário,
sobretudo na tradição profética vem a ser um símbolo da relação do
Senhor com o seu povo.
O Novo Testamento traz contribuição original e definitiva. Jesus Cristo
redimensiona o sexo, incluindo-o na singular perspectiva trazida pelo
Redentor (Mt 19,12). Proclamando a castidade como sinal do Reino que
chegou, o Senhor substitui as minuciosas prescrições da Lei por uma
significação nova do conceito de pureza (cfr. Mt 7,1-23). Afirmando
positivamente o valor da pureza do coração, marcado pelo pecado (Mt
5,28; 15-19).
São Paulo, que é injustamente acusado de ser hostil ao sexo, vivendo em
ambiente dissoluto - o grande porto de Corinto - se insurge contra o
aviltamento tão característico daquele tempo, como também o faria na
atualidade (1Cor 6,9 - cfr. Rm 1,24-27). Dá diretrizes absolutamente
válidas ainda hoje (1Cor 7,1-6). A Verdadeira educação para o amor
deverá sempre partir dos princípios por ele levantados: o processo de
formação brota da experiência de uma vida nova, da criatura salva por
Cristo e inserida em seu Ministério, templo do Espírito Santo (1 Cor
6,12-20; Rm 13,14; Gal 5,16-19).
Na evolução do pensamento cristão, os Padres da Igreja apresentam, é
certo, elementos condicionados à ambiência da degradação pagã, à
polêmica da luta contra os erros rigoristas ou de laxismo que grassavam
na Comunidade eclesial e à influência da filosofia pagã ambiental
neo-platônica e estóica. Mas expunham também a doutrina do Evangelho,
orientando o cristão não para uma repressão, mas para uma atitude
sobrenatural de valorização do sexo, integrando-o num contexto mais
amplo que é a Pessoa Humana, santificada pelo Batismo.
Com o desenvolvimento da atual antropologia de orientação
personalística, novos elementos vêm-se juntar ao ensinamento da Fé, não
para negá-la, mas para enriquecê-la e aprofundá-la. O homem é uma
unidade, de maneira que o sexo jamais pode ser considerado como um
sistema autônomo. E o ser criado encontra na abertura para Deus seu
centro de identidade e de realização. Retoma-se, assim, com força
renovada, a visão da sexualidade integrada em valores maiores: o amor, a
família, o cônjuge fiel, a fecundidade. O pudor não representa mera
reação repressiva, mas um procedimento natural de proteção de tais
princípios.
A moral cristã do sexo deve ter seu fundamento em uma visão clara e
lúcida onde a luz orientadora da Revelação se harmoniza e enriquece com
as contribuições da verdadeira ciência e da sã filosofia.
Há, hoje em dia, toda uma literatura que parece ignorar essas
diretrizes. Não é difícil conseguir estudos que abordem o assunto da
educação sexual. Mais raro é encontrar trabalhos que constituam uma
autêntica formação cristã para o amor, ao mesmo tempo aberta e
personalizante, sem se afastar do sentir da Igreja.
Até mesmo publicações audiovisuais religiosas, com intenção educativa,
confundem o pudor com o medo, o controle com a repressão, preconizando
falsa e nefasta libertação sexual que a nada conduz, para engano e
prejuízo daqueles que a elas recorrem. Devem ser corajosamente
rejeitadas. Assim o reclama nossa fidelidade ao Evangelho de Jesus
Cristo.
Busquemos, pois, aprimorar o dever de educar, que pertence primariamente
à família, mas que precisa da ajuda de toda a sociedade."
Por Dom Eugenio
Bento XVI fala da oração de Jesus .
Qua, 14
de Dezembro de 2011 12:59
por:
CNBB/RADIO VATICANO .Papa Bento XVI se reuniu com fiéis e peregrinos
na Sala Paulo VI, no Vaticano, para a tradicional Audiência Geral das
quartas-feiras. Em sua catequese, o Papa falou da oração de Jesus em
suas obras milagrosas, como no caso da cura de um surdo-mudo ou da
ressurreição de Lázaro que lemos nos Evangelhos.
Neles,
vemos como o Senhor se comove e se faz portador da pena da pessoa
afligida. A primeira iniciativa de Jesus é pedir ao Pai que faça valer
sua ação benéfica. Assim, a compaixão por quem sofre provoca a súplica a
Deus, que cura através da sua força sanadora. Deste modo, Jesus
manifesta sua relação singular com o Pai. E ilumina também a importância
de nossa oração de súplica, pois consiste antes de tudo em depositar o
caso com confiança nas mãos de Deus, capaz de superar qualquer limite
humano, testemunhando sua presença entre nós, conscientes de que, em
qualquer situação, o dom mais precioso quando O invocamos é sua amizade,
seu amor infinito por cada um.
Após a
catequese, o Santo Padre fez um resumo em várias línguas, entre as quais
o português:
"Queridos irmãos e irmãs. No Evangelho, vemos Jesus rezar ao Pai do Céu,
antes de realizar os milagres. Assim acontece na cura de um surdo-mudo,
como ouvistes ler no princípio da Audiência: «erguendo os olhos ao Céu»,
Jesus entra em relação com o Pai, que atua através d’Ele. A força que
curou o surdo-mudo foi certamente provocada pela compaixão pelo doente
que Jesus quer ajudar, mas provém do seu apelo ao Pai. Temos um exemplo
ainda mais claro na ressurreição de Lázaro: diante do túmulo, Jesus
«erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, dou-Te graças por Me teres
atendido”» (Jo 11, 41). Sabemos assim que, desde quando soube do amigo
gravemente doente, Jesus não cessou um momento sequer de pedir pela sua
vida. Esta oração continua e reforça a união de Jesus com o seu amigo
Lázaro e, ao mesmo tempo, confirma a sua decisão de permanecer em
comunhão com a vontade do Pai, com o seu plano de amor que previa a
doença e a morte de Lázaro como lugar onde havia de manifestar-se a
glória de Deus.
Saúdo
cordialmente os grupos brasileiros da diocese de Pato de Minas e da
paróquia de Silvânia e restantes peregrinos de língua portuguesa, a
todos recordando que a oração abre a porta da nossa vida a Deus. E Deus
ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos outros que vivem
na prova, dando-lhes consolação, esperança e luz. De coração, a todos
abençôo em nome do Senhor."
Bispos se reúnem para fazer a 3ª revisão do Missal Romano .
Qua, 14
de Dezembro de 2011 16:46
por:
CNBB .Os membros da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos
(CETEL) se reuniram na manhã desta quarta-feira, 14 de dezembro, na sede
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para a revisão da
3ª edição típica do Missal Romano.
O
presidente da comissão Dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa
Senhora (BA), esteve presente, além do Arcebispo de Belém, Dom Alberto
Taveira, do Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lírio Rocha, Dom Manoel
João Francisco, bispo de Chapecó (SC) e do Arcebispo de Porto Alegre,
Dom Dadeus Grings.
Segundo
Dom Geraldo, na liturgia, celebra-se não somente a vida de cada pessoa e
de cada comunidade, mas o mistério pascal de Cristo. “É importante
reconhecer a necessidade de formação litúrgica mais intensa e mais
profunda para favorecer uma participação mais ativa, mais consciente e
mais proveitosa como ensinou o Concílio Vaticano II. E o empenho nessa
formação deve atingir o clero, os religiosos e os leigos”, ressaltou Dom
Geraldo.
A
comissão é responsável por fazer a revisão dos textos litúrgicos. Para
auxiliar nas traduções, os membros contaram com a colaboração do Padre
Gregório Lutz, do Padre José Carlos Sala, assessor de Música e do Padre
Hernaldo Pinto Farias, assessor de Liturgia. O trabalho de revisão
Eucaristia, caminho de renovação do mundo
10:41 - 24/06/2011
Bento XVI presidiu nesta quinta-feira, na Basílica Papal de São João de
Latrão, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus
Christi).
O Papa convidou a refletir sobre a Eucaristia e sobre o mistério de
Cristo que doou sua vida na Cruz para a salvação de todos nós.
"Tudo teve início do coração de Cristo que na Última Ceia, na véspera de
sua Paixão, agradeceu e louvou a Deus. Fazendo assim, com a força de seu
amor, Ele transformou o sentido da morte, transformou a morte num ato de
doação" – frisou o pontífice.
"Essa é a transformação de que o mundo precisa. Deus entregou ao mundo o
dom da Eucaristia para oferecer a salvação a cada pessoa. No
cristianismo, tudo passa através da lógica humilde e paciente do grão de
trigo que morre para dar vida, a lógica da fé que remove montanhas com a
força humilde de Deus" – ressaltou ainda o Papa em sua homilia.
Bento XVI destacou que Deus quer continuar renovando a humanidade, a
história e o cosmos através dessa cadeia de transformações, cuja
Eucaristia é o Sacramento.
"Através do pão e o vinho consagrados, Cristo nos transforma e nos
envolve em sua obra de redenção. Ele nos torna capazes, pela graça do
Espírito Santo, de viver segundo a sua lógica de doação, como grãos
unidos a Ele e Nele" – disse ainda o Papa.
"Quem reconhece Jesus na Hóstia Santa, o reconhece no irmão que tem
fome, sede, que está doente e encarcerado. Quem reconhece Jesus, se
compromete concretamente em favor daqueles que passam necessidade. Do
amor de Cristo provém a nossa responsabilidade de cristãos na construção
de uma sociedade solidária, justa e fraterna" – concluiu Bento XVI. (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano
RJ sediará Jornada Mundial da Juventude
10:40 - 24/06/2011
O Rio de Janeiro foi escolhida a cidade para hospedar, em 2013, a 38ª
Jornada Mundial da Juventude, segundo informou hoje a imprensa vaticana.
A candidatura brasileira foi preferida com relação a sua concorrente, a
capital da Coreia do Sul, Seul.
O encontro, que desde que Joseph Ratzinger assumiu o Pontificado passou
a ser trienal, foi adiantado em um ano para evitar que ocorra no mesmo
ano da Copa do Mundo de 2014, que o Brasil sediará.
As últimas Jornadas ocorreram em Colonia, na Alemanha, em 2005, e
Sidney, na Austrália, em 2008. A próxima ocorrerá em Madri nos próximos
dias 16 a 21 de agosto.
De acordo com a agência Vatican Insider, uma iniciativa do jornal La
Stampa dedicada a informações sobre o Vaticano, o evento, que também
ocorrerá antes das Olimpíadas de 2016, deverá "ampliar a relevância
assumira pelo colosso brasileiro como novo ator geopolítico global".
A publicação destacou que a quantidade de "grandes eventos no Brasil nos
próximos anos comportou uma mudança de passo no ritmo trienal que a
edição internacional da Jornada Mundial da Juventude assumiu na época
ratzingeriana".
A Jornada foi criada em 1984 pelo então papa João Paulo II.
Fonte: ANSA
Congresso Nacional da Pastoral Familiar debate
“Família, Pessoa e Sociedade” .
Seg, 20 de Junho de 2011 09:58
por: CNBB .“Fortalecer a família na sociedade, como imagem daquilo que
todos somos chamados a ser no mundo, família humana, família de Deus”, é
um dos objetivos do 13º Congresso Nacional da Pastoral Familiar, sediado
pelo Regional Leste 2 da CNBB (Espírito Santo e Minas Gerais), nos dias
19 a 21 de agosto, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG).
Sob o tema “Família, Pessoa e Sociedade” e o lema “Somos cidadãos e
membros da Família de Deus”, o Congresso pretende reunir cerca de mil
participantes entre bispos; coordenadores regionais, diocesanos e
assessores eclesiásticos da Pastoral Familiar; coordenadores nacionais
dos Movimentos e Serviços Familiares, e agentes de Pastoral Familiar das
dioceses de todo o Brasil.
A programação do evento prevê o aprofundamento do tema e lema nos pontos
que mais apontam para a problemática da família hoje, a abordagem dos
aspectos sociológicos e psicológicos na identidade da família e seus
membros, além de socializar as significativas iniciativas e experiências
da Pastoral Familiar.
"A Sagrada Família como modelo"
25/1210 15:10
As celebrações natalinas chamam a atenção, de maneira eloqüente, para a
Família. A extraordinária lição que nos vem da manjedoura de Belém nos
apresenta a vida que nasce em um lugar bem constituído. O calendário
litúrgico inclui, nesta época do ano, a festa da "Sagrada Família,
Jesus, Maria e José", onde as virtudes que servem de ordenamento e
alicerce à instituição são devidamente exaltadas. Podemos citar Paulo
VI, que em seu Discurso na cidade de Nazaré, em 5 de janeiro de 1964,
afirmou: "Nazaré é a escola onde se começa a entender a vida de Jesus,
onde se inicia o conhecimento de seu Evangelho".
Nas palavras do Papa Padre Bento XVI, também com esta festa "fixamos o
olhar em Jesus, Maria e José, e adoramos o mistério de um Deus que quis
nascer de uma mulher, a Virgem Santa, e entrar neste mundo pelo caminho
comum a todos os homens. Fazendo assim, santificou a realidade da
família, enchendo-a da graça divina e revelando plenamente a sua vocação
e missão". E continua o Santo Padre: "o Concílio Vaticano II dedicou
grande atenção à família. Os cônjuges são um para o outro e para os
filhos testemunhas da fé e do amor de Cristo (cf.LG, n.35). A família
cristã participa assim da vocação profética da Igreja: com o seu modo de
viver 'proclama em voz alta as virtudes presentes do reino de Deus e a
esperança da vida bem-aventurada' (cf. ibid.). Por isso a Igreja está
comprometida na defesa e promoção 'da dignidade natural e do altíssimo
valor sagrado' do matrimônio e da família" (ibid.) ("Angelus de 30 de
dezembro de 2007).
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: "A comunidade conjugal está
fundada no consentimento dos esposos. O casamento e a família estão
ordenados para o bem dos esposos e a procriação e a educação dos
filhos". Independentemente da crença religiosa, aí está a célula que dá
origem à sociedade. A lei natural coloca assim, acima das disposições
legais do Estado, esse conceito originário da convivência entre os
homens. À autoridade humana compete não somente respeitar esse princípio
básico do bem-estar coletivo, mas também é seu dever protegê-lo.
Os direitos políticos de cada pessoa, vinculados ao exercício da
cidadania, devem ser devidamente amparados pelos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário. Segundo a competência de cada um, todos os
esforços convergem, portanto, para a família. Caso contrário, atraiçoam
a missão de que se encontram investidos em favor do bem comum.
A dignidade humana tem suas raízes na liberdade que nos torna
semelhantes a Deus. Segundo o uso que fizermos desse dom divino, nossos
atos serão bons ou maus. Somos, assim, responsáveis pelo nosso
comportamento e dele daremos contas ao Pai. Durante nossa existência,
constantemente, é posto à prova o reto uso do livre arbítrio, e a
convivência doméstica a isso não foge.
Deus estabeleceu a comunidade conjugal e, entre seus deveres, está a
geração dos filhos. Lemos no Gênesis (1,28): "Deus os abençoou e lhes
disse: 'Sede fecundos, multiplicai-vos'". Ora, isso só poderá ocorrer
através do ato sexual. Atribuir-lhe o pecado de Adão e Eva revela
pobreza de raciocínio. Também mostra ignorância quem afirma ser a
geração da prole a única finalidade dessa união. Aberto à vida, esse
relacionamento entre o homem e a mulher, no Matrimônio, é algo nobre e
santificador. Diz o Código de Direito Canônico: "A aliança matrimonial
(...) é ordenada, por sua índole natural, ao bem dos cônjuges, à geração
e educação da prole".
No entanto, assistimos, em graus diferentes, a constante e crescente
ofensiva que tenta destruir a Família. A raiz está na busca do prazer a
qualquer preço. As obrigações com os dependentes são postas em segundo
plano e rompem-se os compromissos conjugais assumidos diante de Deus. O
drama dos menores abandonados passa por lares desfeitos. O estímulo ao
sexo livre, por vezes, vem indelevelmente manchado pelo sangue dos fetos
abortados. Difunde-se a loucura de legalizar "famílias paralelas".
Diante de tantos problemas deste país, muitos dos nossos políticos se
especializaram nesse campo. E não estão sozinhos...
Por outro lado, continua a destruição dos valores morais, essa trilha
infeliz que nos leva ao precipício. A esse respeito falou o Papa Bento
XVI aos Bispos do Brasil, dos Regionais Nordeste 1 e 4, em visita "ad
limina", a 25 de setembro deste ano: "A família está assentada no
Matrimônio como instituição natural confirmada pela lei divina. Pondo em
questão tudo isto, há forças e vozes na sociedade atual que parecem
apostadas em demolir o berço natural da vida humana (...). Enquanto a
Igreja compara a família humana com a vida da Santíssima Trindade -
primeira unidade de vida na pluralidade das pessoas - e não se cansa de
ensinar que a família tem o seu fundamento no matrimônio e no plano de
Deus, a consciência difusa no mundo secularizado vive na incerteza mais
profunda a tal respeito, especialmente desde que as sociedades
ocidentais legalizaram o divórcio".
Esse contraste merece uma reflexão maior e uma escuta atenta ao convite
do Santo Padre: "Para ajudar as famílias, exorto a propor-lhes, com
convicção, as virtudes da Sagrada Família: a oração, pedra angular de
todo lar fiel à sua própria identidade e missão; a laboriosidade, eixo
de todo matrimônio maduro e responsável; o silêncio, cimento de toda a
atividade livre e eficaz, pois nos ensina o recolhimento e a
interioridade, conduzindo-nos à vida de oração (cf. Paulo VI, ibidem).
Tenho confiança no testemunho daqueles lares que tiram as suas energias
do sacramento do matrimônio. É a partir de tais famílias que se há de
restabelecer o tecido da sociedade"
Fonte:Portal ECC
Mensagem «urbi et orbi» de Bento
XVI
«Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).
25/12/10 15:00
"Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com
alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio
habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o
«Emanuel», Deus-conosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de
Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender,
porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se
trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um fato sucedido, que
testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de
Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus atos e escutando as
suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo
ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele,
verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigênito
vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em
nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades
opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um
homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama
quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura
apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu
povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou
o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a
Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob…
Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3,
14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em
Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem
em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre
de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou
Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O
princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo,
num tempo e num espaço.
«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe
com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao
amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém,
e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento
que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do
mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da
fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade
fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si
mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.
E que procura, efetivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja
Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão des armantes e
estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido
profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua
maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no
trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a
existência terrena.
«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos,
para o caminho coletivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio
como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste
mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É
como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz
avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum,
para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela
justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um
constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das
suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja
dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio
para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e
inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e
pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento
e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de
todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e
animando os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para com
elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda
sofrem com as consequências do terremoto devastador e com a recente
epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na
Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica,
sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de
progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa
do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve
segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão;
encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a
reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de
paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para
que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de
consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja,
mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê
perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e
perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se
pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de
nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos,
este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz
que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!"
Fonte:Agencia Ecclesia
HALLWEEN, A VOLTA AO PAGANISMO
27/10/10
16:23
O halloween tem uma origem pagã. Esta
celebração se atribui a um povo que habitava nas
Inglaterra: os celtas. Esta festa tinha como objetivo
principal celebrar os mortos. Acreditavam que na noite
do dia 31 de outubro, o deus da morte permitia aos
mortos voltar a terra para criar um ambiente de terror.
A invasão dos romanos (46 a.C) às ilhas britânicas deu
como resultado a mistura dos costumes da cultura celta
com os usos e costumes da Europa. Esta influência foi
diminuindo com a pregação do evangelho, e desapareceu
totalmente no final do II século do cristianismo.
Esta comemoração voltou aos
poucos como uma festa para as crianças usarem fantasias
de bruxas ou outros personagens maus. Para ganhar
simpatia juntou-se o costume de distribuir doces. Pôr
trás de algo aparentemente inofensivo existe toda uma
trama para voltar a crenças pagãs.
Muitos grupos satanistas e
ocultistas usam o dia 31 de outubro como a sua data mais
importante. Chamam a este dia de “ Festival da morte”, e
é reconhecido pôr todos os satanistas, ocultistas e
adoradores do diabo como véspera do ano novo da
bruxaria.
Anton LaVey, autor da “ Bíblia
satânica ” e sumo sacerdote da igreja de satanás, diz
que o dia mais importante para os seguidores o maligno é
o halloween. LaVey diz que nesta noite os poderes
satânicos ocultos e de bruxaria estão no seu nível de
potência mais alto, e qualquer bruxo ou ocultista
encontrará mais êxito no dia 31de outubro, porque
satanás e seus poderes estão em seu ponto mais alto
nesta noite. Estes seguidores do príncipe da mentira
asseguram que durante a noite do halloween, os anjos
decaídos, assim como toda a classe de espíritos malignos
percorrem o mundo inteiro.
Também é um fato registrado e
documentado que na noite do dia 31 de outubro na
Irlanda, Estados Unidos e outros países se realizam
missas negras, cultos espíritas e outras reuniões
relacionadas com o mal e o ocultismo.
Estas poucas informações servem para
mostrar o lado negativo do halloween. A mensagem de
amor, paz, caridade e esperança de Jesus Cristo é
completamente contrária às imagens sangrentas, que
retratam bruxas, mortos saindo de túmulos, vampiros e
outros monstros. Halloween é na verdade uma celebração
da maldade.
“ Porque
virá tempo em que os homens já não suportarão a sã
doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e
pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres
para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão
às fábulas.”
2Tm 4,3-4
Bispos repudiam liberalização do aborto
na Espanha
06/07/10 8:15
A Conferência Episcopal Espanhola deu a conhecer hoje uma declaração
perante a entrada em vigor da nova lei do aborto na qual os bispos
recordam que esta norma é "objetivamente incompatível com a reta
consciência moral -em particular, a católica- já que, desde o ponto de
vista ético, piora a legislação vigente".
Na declaração os prelados explicam que esta piora se apóia nos seguintes
motivos: "primeiro, e sobre tudo, porque considera a eliminação da vida
dos que vão nascer como um direito da gestante durante as primeiras
quatorze semanas da gravidez, deixando virtualmente desprotegidas
algumas dessas vidas humanas, justo no tempo em que se produz a grande
maioria dos abortos".
Em segundo lugar, prossegue o texto, "porque estabelece um conceito de
saúde tão ambíguo que equivale à introdução das chamadas indicações
social e eugênica como justificação legal do aborto. Em terceiro lugar,
porque impõe no sistema educativo obrigatório a ideologia abortista e
'de gênero'".
Os bispos recordam que "estes e outros motivos foram explicados pela
Comissão Permanente da Conferência Episcopal em sua Declaração de 17 de
junho de 2009, que a Assembléia Plenária fez expressamente sua no
comunicado final de 27 de novembro de 2009.
Os prelados concluem a declaração indicando que "falamos precisamente a
favor daqueles quem têm direito a nascer e a serem acolhidos por seus
pais com amor; falamos a favor das mães, que têm direito a receber o
apoio social e estatal necessário para evitar converter-se em vítimas do
aborto; falamos em favor da liberdade dos pais e das escolas que
colaboram com eles para dar a seus filhos uma formação afetiva e sexual
de acordo com umas convicções morais que os preparem de verdade para
serem pais e acolherem o dom da vida; falamos a favor de uma sociedade
que tem direito a contar com leis justas que não confundam a injustiça
com o direito".
Autor: ACI Digital -
Mais de meio milhão de assinaturas ante
Senado da Argentina em defesa de matrimônio
06/07/10 8:15
Nesta segunda-feira pela tarde será apresentado no Senado da Nação
Argentina a "Declaração Cidadã pela Vida e a Família", que conta com o
apoio de até agora 524 mil pessoas que exigem que os legisladores não
aprovem o projeto de lei que pretende equiparar as uniões homossexuais
ao matrimônio. O projeto já foi aprovado pela Câmara de Deputados e será
tratado na Câmara Alta no próximo 14 de julho.
As mais de 500 mil assinaturas na Declaração são o resultado da
mobilização da sociedade civil. A maioria se compilaram durante os atos
multitudinários que se realizaram os últimos dias em várias províncias.
Do mesmo modo, a mobilização ainda continua e pedem aos senadores que
atendam a mensagem majoritária da sociedade.
Esta tarde representantes das distintas instituições que levam adiante a
campanha, serão recebidos pela senadora Liliana Negre del Alonso, como
presidenta da Comissão de Legislação Geral do Senado. Na oportunidade,
está previsto um breve ato no que se apresentará uma gigantografia da
Declaração, que simbolicamente será assinada pelos presentes.
A declaração
A Declaração Cidadã pela Vida e a Família manifesta publicamente a
adesão a uma série de "princípios e valores fundamentais para a
convivência social", como são a dignidade da vida humana desde sua
concepção até a morte natural; o dever do Estado de proteger o
matrimônio como uma "comunidade de vida e amor entre um homem e uma
mulher" e o direito das crianças "a crescerem em uma família fundada na
união estável entre homem e mulher e a serem educadas segundo as
convicções de seus pais".
Autor: ACI Digital -
O QUE É PAPA PARA A IGREJA.
Papa Sucessor de Pedro
06/07/10 8:10
Em meio aos desafios e ataques que a Igreja vem sofrendo, não
podemos permanecer alheios aos mistérios que a envolvem. É de suma
importância conhecermos a fundo a fé que professamos para que, em tempos
tempestuosos como estes, não sejamos confundidos. Ao olhar para ela, não
devemos fazê-lo como um observador, mas como um filho, um membro seu.
O que você sabe a respeito da infalibilidade do Papa? Que diferença essa
crença faz em sua fé? Para compreender um pouco mais a respeito da
infalibilidade do Romano Pontífice, é necessário voltar-nos a Pedro e à
autoridade que lhe foi concedida.
Quando Jesus interroga os seus discípulos sobre o que o povo diz a seu
respeito, fá-lo para levá-los a refletir e superar a opinião pública.
Alguns o consideravam João Batista, outros Elias e outros algum dos
profetas; entre eles porém, há alguém - Pedro - que supera a distância
entre aparência e realidade e reconhece-o como o Messias, o Filho do
Deus vivo. Então, Jesus confia a este uma grande missão: "Tu és Pedro e
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as potências do inferno
não prevalecerão contra ela" (cf. Mt 16,18). A fraqueza do pescador é
transformada na fortaleza do Apóstolo e a sua humildade será a rocha
segura sobre a qual Cristo constituirá a sua Igreja. Um edifício sólido
que poder algum poderá abater, nem mesmo poderes diabólicos.
Diz ainda: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na
terra será ligado no céu e o que desligares na terra será desligado no
céu" (cf. Mt 16,19). Na linguagem bíblica, chave tem o significado de
poder. O poder mais elevado é confiado a Pedro! Ele tem o poder de ligar
e desligar, ou seja, condenar e absolver, excluir e acolher, não só as
pessoas, mas também as doutrinas e os costumes. É desconcertante ver
tanto poder nas mãos de um homem, mas antes de tudo, devemos lembrar que
Jesus o assiste constantemente com todos os dons necessários para esta
missão tão particular.
Segundo a vontade do Senhor, São Pedro e os outros Apóstolos formam o
Colégio dos Apóstolos. Paralelamente, o Papa, Sucessor de Pedro, e os
Bispos, Sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si e formam, assim,
o Colégio Episcopal. "O Romano Pontífice, em virtude do seu múnus de
Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder
pleno, supremo e universal. E ele pode sempre livremente exercer este
poder" (LG, 22). Nisto vemos que toda a graça que o Senhor derramou
sobre os primeiros Apóstolos é concedida aos seus Sucessores. Neles, e
de modo especial no Sucessor de Pedro, as verdades da fé são conservadas
e transmitidas incólumes; sem nenhum desvio. Foi-lhes confiada a missão
de "proteger o povo de Deus dos desvios e dos desfalecimentos e
garantir-lhes a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé
autêntica... Cristo os dotou do carisma de infalibilidade em matéria de
fé e de costumes" (Cat, 890).
Com um olhar estritamente humano podemos ver nele um homem comum; mas,
sob o olhar da fé, vemos um homem assistido pela graça de Deus. É Cristo
quem age através de cada Papa. Aqui é preciso uma fé madura, para que
também nós superemos as aparências, pois o Papa é um homem comum, com
suas virtudes e fraquezas, mas quando, "pelo seu Magistério supremo,
propõe alguma coisa 'a crer como sendo revelada por Deus' e como
ensinamento de Cristo, 'é preciso aderir na obediência da fé a tais
definições'" (Cat, 891). Porque, quando um Papa trata sobre questões
referentes à fé e à moral, não o faz por si mesmo, mas auxiliado pela
graça, que o assiste e sustenta, e segundo a vontade de Deus, que se
manifesta claramente a ele pelo carisma da infalibilidade, com o qual o
dotou.
As prerrogativas de Pedro continuam a ser as do Papa. Os mesmos poderes
que Jesus conferiu a Pedro são conferidos aos seus Sucessores. "Esta é a
razão por que se diz que suas definições são irreformáveis por si mesmas
e não em virtude do consentimento da Igreja, pois foram proferidas com a
assistência do Espírito Santo a ele prometida no bem-aventurado Pedro. E
por isso não precisam da aprovação de ninguém nem admitem apelação a
outro tribunal. Pois neste caso o Romano Pontífice não se pronuncia como
pessoa particular, mas expõe ou defende a doutrina da fé católica como
mestre supremo da Igreja universal, no qual de modo especial reside o
carisma da infalibilidade da própria Igreja" (LG, 25).
Como vimos, o primado de Pedro - e a sua sucessão - é uma instituição
divina. "Se isso pode ser contestado por uma sociedade excessivamente
racionalista e contrária a toda autoridade, reconhece o cristão
autêntico - e com gratidão - o que estabeleceu Cristo para tornar mais
seguro aos homens o caminho da salvação. Enfim, em nenhum campo pode o
homem pretender julgar os planos ou as ações de Deus; deve, antes,
repetir com São Paulo: "Quão impenetráveis são seus desígnios e
inacessíveis seus caminhos!" (Frei Gabriel de Sta. Maria Madalena)
RENOVA, RENOVAÇÃO
06/07/10 8:00
“O surgimento da Renovação na seqüência do Concílio
Vaticano II foi um dom particular do Espírito Santo à Igreja. Certamente
um dos os resultados mais importantes desse despertar espiritual foi a
aumentada sede de santidade…” João Paulo II
Se perguntassem para mim: Qual a maior necessidade da renovação
carismática católica? Eu responderia: voltar ao espírito do início da
ação do Espírito Santo. Voltar ao espírito do início não significa ficar
no passado, e sim recuperar o mesmo entusiasmo e ardor pelo Reino de
Deus.
O risco de todos os avivamentos é com o tempo se institucionalizarem
além do necessário, e como conseqüência perderem o dinamismo da
liberdade do Espírito. E isso é esquecer o propósito de Deus ao conceder
“esta nova chance para a Igreja”, segundo palavras de Paulo VI, em um
dos seus encontros com dirigentes da renovação carismática.
A renovação carismática nasceu para manter viva a consciência de que a
Igreja é chamada a um contínuo Pentecostes. Este era o desejo de João
XXIII ao convocar o Concílio Vaticano II. No final da carta de
convocação dos bispos escreveu: “Renova em nossa época os prodígios de
um novo Pentecostes…”.
Uma das respostas a esta oração do sucessor de Pedro, aconteceu em um
final de semana de fevereiro de 1967. Um grupo de estudantes da
universidade de Duquesne, nos Estados Unidos, se reuniu para um retiro.
A finalidade era rezar e estudar o livro de Atos dos Apóstolos. Na noite
do sábado acontece a experiência maravilhosa do batismo no Espírito, e a
manifestação espontânea dos carismas.
Estes jovens foram o instrumento para uma verdadeira revolução
espiritual na Igreja católica, segundo alguns, somente comparada ao
Pentecostes da sala do cenáculo de Jerusalém.
A renovação carismática mostrou a sua força pela simplicidade. Sem
recursos de nenhuma espécie, apoiando-se unicamente na riqueza do
Espírito Santo, contando com a intercessão de Maria, assumiu a missão de
anunciar com paixão o evangelho.
As sementes foram os pequenos grupos de oração. No início aconteciam nas
casas, e quando era permitido em alguma sala das paróquias. A
característica era o fervor, louvor, exercício dos carismas, amor a
Palavra. O clima era de fraternidade, todos se sentiam realmente irmãos
em Jesus Cristo. E o importante, as pessoas não perdiam por nada estas
reuniões cheias de poder. Todos eram ocupados, mas tinham sido tocados
pelo fogo do Espírito, por isso não faltavam. Vinham como estavam, e
saiam renovados. Não perdiam nenhuma ocasião para testemunhar a
transformação de suas vidas. E isso conquistava mais pessoas, sem uma
estratégia de propaganda. Era a confiança na obra do Espírito Santo.
Não podemos esquecer dos seminários de vida no Espírito. Eu vi
seminários de vida começarem com alguns bancos cheios e encerrarem em
catedrais ou teatros lotados. Eu preguei durante anos (junto com Pe.
Eduardo, Padre Jonas, a saudosa tia Laura…) no Estádio do Morumbi com
150.000 participantes. Não estou falando somente de números, mas da obra
de multiplicação quando estamos na dependência de Jesus, guiados pelo
Espírito Santo. Eram dias de abertura à Palavra, restauração de vidas,
cura de enfermidades, libertação do mal. E o interessante pouca
estrutura, e infinita entrega voluntária dos servos.
O Espírito Santo não necessita de ajuda e sim de docilidade às suas
inspirações. Voltar ao início significa não cair na armadilha de
“modismos” ou “estratégias” passageiras. Exige a coragem de entregar a
vida a Jesus, romper como pecado, acender o fogo do Espírito no coração,
e ser testemunha das maravilhas de Deus. E tudo mais será dado em
acréscimo.
Vem Espírito Santo, Inunda-nos!
Espírito do Pai, vivifica-nos!
Espírito do Filho, salva-nos !
Amor eterno, abrasa-nos,
Com Teu fogo, infama-nos,
Com Tua luz, ilumina-nos.
Fonte viva, sacia-nos,
De nossos pecados, purifica-nos.
Por Tua unção, robustece-nos,
Com Teu consolo, recreia-nos,
Com Tua graça, guia-nos
E protege-nos com Teus anjos.
Não consistas jamais separar-nos de Ti
E ouve nossa oração, Deus Espírito Santo.
Toca-nos com Teu dedo
E infunde-nos a torrente de virtudes.
Fortalece-nos com Teus dons,
Deleita-nos com Teus frutos.
Guarda-nos do inimigo mau,
Unge-nos para o combate derradeiro,
Ampara-nos na hora da morte.
Chama-nos, então, para junto de Ti,
Para louvar toda a eternidade,
O Pai, o Filho e a Ti,
Com todos os santos, ó doce Consolador.
Amém.
Pe. A.Gambarini
Reconhecer e Seguir o Messias Padecente
(Lc 9,18-24) - 16/06/2010 - 15:00
“O Cristo de Deus”. Essa afirmação de Pedro é que faz a diferença
entre a fé autêntica e adesão a Jesus, fruto de uma pura veneração a
ele, como homem e profeta extraordinário.
Conhecer a identidade real de uma pessoa não é fácil, pois temos sempre
diante de nós um mistério maior do que a própria pessoa.
Ao responder a pergunta de Jesus, Pedro atinge o mistério divino. Há um
contraste freqüente entre as aparências, aquilo que pelos sentidos
conseguimos entender e o que a fé nos pode revelar. Reconhecer Jesus
como o Cristo é um ato de pura fé, de puro amor.
A pergunta é dirigida também a cada um de nós pessoalmente: Quem é,
afinal, Jesus? Uma resposta sincera, livre, real pode alterar o
significado de todo o nosso relacionamento, com Deus e com o mundo.
É preciso olhar Cristo para reconhecer o mistério da vida. Jesus mostra,
com sua vida, o acesso à verdade, a Deus. A profissão de fé de Pedro
coincide com as aspirações mais profundas do ser humano.
A certeza de sua morte na cruz é o caminho para conhecê-lo e segui-lo. O
homem moderno, familiarizado com o comodismo e os fascínios de uma vida
fácil, precisa redescobrir o significado e a necessidade da cruz como
processo de libertação de tudo aquilo que impede o homem de encontrar
Deus.
A ressurreição de Jesus é a vitória sobre as estruturas da morte. Ele
não permite que inocentes e indefesos continuem morrendo à míngua, ou
vítimas da violência, pois sua proposta é de vida e liberdade para
todos.
É preciso que nós saibamos renunciar a tudo o que impede a vida e a
fraternidade. Vamos assumir diariamente a causa de Jesus, que é a nossa
cruz. Se nós o seguirmos, transformaremos o mundo.
Fonte:
Dom. Eurico dos Santos Veloso
Maria, Co-redentora da Humanidade -
16/06/2010 - 15:10
A reflexão sobre o papel de Maria na obra salvífica da humanidade
oferece sempre não só um alerta para a verdadeira devoção a ela, ou
seja, a valorização dos sofrimentos inevitáveis a este exílio terreno,
como também por suscitar profundo agradecimento por ter ela cooperado no
processo redentor. Se aos pés da Cruz grande foi o seu martírio, não
menor sua amargura ao se deparar com Jesus a caminho do Calvário, dado
que pela vez primeira ela contemplou um Filho ensangüentado, insultado,
objeto de todo tipo de violência. Neste local ambos se mergulharam num
pélago de indescritível angústia. Foi uma cena de uma dramaticidade tal
que palavras humanas mal a podem retratar. Eis por que só com as luzes
do Alto poderá nossa inteligência penetrar na profundidade do
significado de tamanho padecer. Este martírio foi ocasionado por uma
extraordinária dileção mútua, Cumpre captar todos os detalhes deste
acontecimento para acolher lições que devem marcar nosso caminhar rumo a
uma felicidade perene que custou tanto sacrifício a Cristo e a sua Mãe
Santíssima. Muitos aspectos devem merecer nossa reflexão, dois pontos
fundamentais para uma frutuosa meditação deste fato marcante na vida de
dois personagens que se sacrificaram para nos abrirem as portas do
paraíso perdido. Pilatos, o governador romano da Judéia, havia
reconhecido a inocência de Jesus. Ouviu de perto suas palavras e
detidamente O interrogou, como nos relatam os Evangelistas. Nenhuma
testemunha havia apresentado uma acusação séria e fundamentada contra
Ele. Não havia dúvida: aquele que se dizia o Messias, o Filho de Deus,
era inteiramente inocente. Pilatos, porém, era um homem fraco e somente
interessado em estar bem com o povo e, sobretudo, com as autoridades
romanas. Temia covardemente que se sublevasse contra ele aquela turba
audaz, excitada por um ódio gratuito contra Cristo, movida que era pelos
fariseus e sacerdotes do Templo, invejosos da popularidade do meigo Rabi
da Galiléia. Pilatos então fraquejou. Decidiu, sob pressão, condenar
Jesus à morte ignominiosa de cruz. Tremenda humilhação para o Filho de
Deus, o bem-amado do Pai! Era costume romano que o acusado devia ouvir
sua sentença de morte. Cumpria ao Juiz ler a mesma de um lugar alto e
com voz forte para que toda a multidão a escutasse. Assim procedeu
Pilatos com a consciência em frangalhos, mas com olhares de desdém para
aquele povo insensato. Olhou pela última vez para Jesus que se mantinha
calado e já todo desfigurado pelos maus tratos recebidos na crudelíssima
flagelação. Ali estava o Cordeiro de Deus que tiraria os pecados dos
homens, manso e sereno, hirto e majestoso apesar de tantos sofrimentos
físicos. Cristo aguardou, deste modo, a injusta sentença. Terrível o
drama interior de Pilatos, pois sabia que estava condenando um inocente
à mais trágicas das mortes. Ao ouvir a publicação da condenação de
Jesus, aquele povo desvairado, lançou aos ares um satânico grito de
alegria. Sorriam os fariseus que haviam amotinado a multidão contra
Cristo. Este havia denunciado a hipocrisia daqueles que chamara de
“sepulcros caiados” (Mt 23,27) e enfrentara os detentores do poder que
tinham deturpado a mensagem de Deus e professavam uma religião exterior,
mas, interiormente, eram víboras vorazes, instrumentalizando as coisas
divinas em proveito próprio e vivendo longe dos planos de Iawheh.
Fizeram-se, imediamente, presentes o Centurião romano e os demais
soldados que deveriam vigiar o famoso réu até o momento de sua morte.
Com a pesada cruz às costas Jesus rumou para o Calvário, chagado,
ensangüentado, vilipendiado. Uma mentalidade regida pela lógica mundana
quer sempre contemplar triunfos que deslumbrem a vista, mas jamais é
capaz de repelir as injustiças ou de ir fundo no significado do
sofrimento. Jesus havia dito a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo
(Jo 18,36). Todos aqueles que se acham apegados aos bens efêmeros e
transitórios desta terra não podem aceitar um Deus coberto de opróbrios,
carregando uma cruz, ultrajado. Muitos O querem enquadrar nos seus
estreitos moldes mentais ou O desejariam como um poderoso monarca
terreno, como os judeus daquela época. É preciso penetrar fundo no
mistério do sofrimento redentor e no papel que os desafios da vida têm
nos planos de Deus para cada um dos seguidores do Salvador. É necessário
reter o ensinamento do Mestre: “Se alguém quer ser meu discípulo que
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Eis,
outrossim, o apelo da Senhora das Dores. * Professor no Seminário de
Mariana durante 40 anos
Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de
Carvalho
Família Matrimônio, caminho de santidade
- 16/06/2010 - 15:37
O interessante Capítulo 6 do Diretório da Pastoral Familiar aponta o
Matrimônio e a Família como caminho de santidade. A exiguidade do espaço
não me permite trazer toda a riqueza ali contida. Destacarei apenas as
ideias principais. Recomendo, pois, a quem tiver acesso, ler o texto
completo. Posso garantir que será gratificante.
Valor santificador do matrimônio
Pelo batismo, todos os cristãos são chamados à santidade. Cônjuges e
pais cristãos devem viver concretamente esta vocação universal à
santidade nas realidades próprias da existência conjugal e familiar. “O
sacramento do matrimônio, que retoma e especifica a graça santificante
do batismo, é a fonte própria e o meio original de santificação para os
cônjuges”, lembra João Paulo II, na Familiaris Consortio (56).
Marido e esposa tornam-se, no dizer do
apóstolo Paulo (Ef 5,32), “o grande sacramento” da união e do amor
fecundo entre Cristo e a sua Igreja. “O dom de Jesus Cristo não se
esgota na celebração do matrimônio, mas acompanha os cônjuges ao longo
de toda a sua existência.” (Idem.)
O casal cristão é chamado a alcançar a santidade por uma espiritualidade
inserida nas realidades concretas de sua vida conjugal: amor humano
(afetividade e sexualidade), geração e educação dos filhos, oração, vida
sacramental e inserção na comunidade eclesial.
Fugir da família é fugir de Deus
O Diretório alerta para uma realidade um tanto comum em certas paróquias
e comunidades: alguns casais pensam que são tanto “mais católicos”
quanto mais se engajam nas pastorais e demais serviços da paróquia e da
Igreja, mas descuidando de alguns de seus deveres familiares.
Essa maneira de pensar sua vocação de casados, às vezes, representa uma
grave tentação que os leva a fugir dos deveres e obrigações próprios do
lar. Para um casal que se recebeu em matrimônio, fugir da família e dos
deveres inerentes a ela seria como fugir de Deus.
Crescer no amor conjugal
O amor conjugal sadio e nobre precisa crescer no mesmo ritmo que o amor
a Deus. Para crescer, o amor tem que se renovar. O Diretório cita Santo
Agostinho para quem o amor não pode parar: se não se renova o
combustível, o fogo do amor se apaga. O crescimento do amor conjugal tem
de acompanhar o crescimento da vida interior e vice-versa. Aumentar o
amor mútuo é o mesmo que dilatar o amor de Deus. O amor conjugal tem que
ser profundo e progressivo, como o amor a Deus.
Aqueles que foram chamados por Deus para formar um lar devem amar-se
sempre, com aquele amor entusiasmado que tinham quando eram namorados ou
noivos. O matrimônio, que é sacramento e vocação, não pode se abalar
quando chegam as dores e os contratempos que a vida sempre traz consigo.
Aí é que o amor aprende a tornar-se mais firme.
Mais ainda: a chave da felicidade pede a luta para vencer o egoísmo, a
saída do comodismo pessoal, para cooperar, com toda a capacidade, na
manutenção do lar e na educação dos filhos. Não haverá uma autêntica
felicidade e santidade, se não houver esse esforço pessoal para superar
o egoísmo.
O fruto mais substancial desse amadurecimento espiritual dos pais e a
lição pedagógica mais importante que devem dar aos filhos é a de sua
união sólida e inquestionável. O primeiro dever-compromisso dos pais
para com os filhos é o de se amarem um ao outro. E não há presente maior
para um filho, não há nada que lhe dê tanta segurança e equilíbrio
emocional do que perceber que os pais são apaixonados um pelo outro, que
se amam de verdade.
A oração conjugal e familiar
Embora cada membro da família deva ter a sua vida interior, deve existir
também a vida de piedade própria da família como tal, que represente
verdadeiramente a “alma” do lar.
Os pais têm a missão de educar os filhos
para a oração, de ajudá-los a descobrir progressivamente o mistério de
Deus e a se relacionar com ele. Elemento fundamental e insubstituível da
educação para a oração é o exemplo concreto, o testemunho de oração dos
pais. Somente rezando com os filhos, pai e mãe entram na profundidade do
coração deles, deixando marcas que os acontecimentos futuros não
conseguirão apagar. “A oração reforça a estabilidade e a solidez da
família, fazendo com que ela participe da ‘fortaleza de Deus’”. (J.
Paulo II, Carta às Famílias, 4.)
O capítulo 6 dá especial destaque à escuta da Palavra de Deus em família
e ao dever catequético dos pais.
Família e Eucaristia
Se toda a vida sacramental é indispensável para a santificação da
família, “o centro e a raiz” da família, porém, é a Eucaristia. Ela é a
fonte própria do matrimônio cristão. A esta altura, o Diretório cita um
texto precioso de João Paulo II: “O sacrifício eucarístico, de fato,
apresenta a aliança de amor de Cristo com a Igreja. Neste sacrifício da
Nova e Eterna Aliança é que os cônjuges cristãos encontram a raiz da
qual brota e é interiormente plasmada e continuamente vivificada a sua
aliança conjugal. Como representação do sacrifício de amor de Cristo
pela Igreja, a Eucaristia é fonte de caridade. E no dom eucarístico de
caridade, a família cristã encontra o fundamento e a alma da sua
‘comunhão’ e da sua ‘missão’: o Pão eucarístico faz dos diversos membros
da comunidade familiar um único corpo, revelação e participação na mais
ampla unidade da Igreja; a participação, pois, no Corpo dado e no Sangue
derramado de Cristo torna-se fonte inesgotável do dinamismo missionário
e apostólico da família cristã”. (FC 57.)
O Domingo, dia do Senhor, é o momento central da semana da família
cristã. É belo ver uma família inteira, pais e filhos, participando
unidos da Santa Missa. “A participação na Eucaristia seja
verdadeiramente para cada batizado, o coração do domingo: um compromisso
irrenunciável, assumido não só para obedecer a um preceito, mas como
necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente”.
(J. Paulo II, NMI, 36.)
Fonte: O Lutador
CONSELHO MISSIONÁRIO NACIONAL REALIZA
PRIMEIRO ENCONTRO NACIONAL DOS COMIDIS.
Acontece
no Centro Cultural Missionário (CCM), entre os dias 28 de maio e 6 de
junho, o 1º Curso Nacional de Formação para os Coordenadores dos
Conselhos Missionários Diocesanos (Comidis). O evento reúne 34
coordenadores de Comidis de todas as regiões do Brasil, com o objetivo
de discutir orientações e elementos comuns para a formação missionária.
Segundo o assessor da dimensão missionária da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) e secretário executivo do Conselho Missionário
Nacional (Comina), padre José Altevir da Silva, o encontro é
indispensável para a articulação da missão no país. “Precisamos falar e
viver mais a missão. Nesse encontro nós aprofundamos elementos da
identidade da Igreja e os colocamos nas mãos dos coordenadores de
maneira prática e objetiva”, afirmou.
O contato dos coordenadores, vindos de várias partes do país é, para o
assessor, um dos modos de visualização do perfil missionário da Igreja
no Brasil, que proporciona o conhecimento desse aspecto de evangelização
da Igreja. “O contato direto nos proporcionou a rica troca de
experiências entre os participantes, que têm culturas diferentes e
experiências diversas. Esse olhar amplo faz com que tenhamos uma visão
do que é a dimensão missionária da Igreja no Brasil”.
Para o diretor do Centro Cultural Missionário (CCM), padre Estêvão
Raschietti, o encontro tem um toque especial porque trata de modo
exclusivo a dimensão universal da missão. “Durante o evento tratamos dos
horizontes da missão e da sua universalidade. Os participantes tiveram a
oportunidade de estudar de modo aprofundado a prática da missão
começando pela sua história e passando pelo seu aspecto teológico”,
comentou.
Padre Altevir também destaca que o evento “alarga os horizontes dos
participantes” no que diz respeito à universalidade da ação missionária.
“Os participantes são todos membros de dioceses. No encontro tivemos a
preocupação de mostrar-lhes que a missão não se restringe aos limites da
paróquia e da diocese, mas que é algo maior, universal e sem fronteiras.
Os coordenadores, nas bases, devem passar essa mensagem de que a missão
nos coloca em caminho e encontro do outro”, sublinhou o assessor.
Temáticas de Estudo
Durante os dez dias de encontro os participantes estudam temas variados,
como “O caminho da missão”; “O encontro com a missão hoje e seus
protagonistas”; “A partilha sobre animação missionária e seus atores” e
“O envio missionário, perspectivas globais de ação e animação
missionária”. As temáticas são assessoradas pelo padre José Altevir;
pelo assessor do Setor Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da CNBB,
professor Sérgio Coutinho; e pelo diretor do Centro Cultural Missionário
(CCM), padre Estevão Raschietti.
Corpus Christi
- 02/06/2010 - 08:50
“Bendito sejais, Senhor Deus do universo, pelo pão e pelo vinho..."
"Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice,
anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos vossa vinda".
"Vocês é que têm de lhes dar de comer”.
A Eucaristia, que nos faz Igreja, nos leva a reviver o memorial de nossa
fé: paixão, morte, ressurreição e ascensão de nosso Senhor. Mas a fração
do pão eucarístico e a participação no banquete do Cordeiro nos levam a
tornar eucarística toda partilha do “pão nosso de cada dia” com quem
está afastado do banquete da vida e passa fome.
A Eucaristia é a presença de Jesus ressuscitado, é um mistério de fé que
manifesta e consuma a unidade de Deus com os homens. Deus se fez homem.
Deus deseja estar com todos, servindo, acolhendo, sendo comunhão.
Crer e celebrar a Eucaristia provoca na sociedade efeitos concretos de
comunhão. A Eucaristia é o prolongamento da encarnação de Cristo nos
séculos. Ela multiplica Deus no mundo. Esse mistério está no coração da
Igreja, que o entende como síntese e ápice de toda sua missão e
fundamento de todo o seu ser. É o amor que faz ver e conhecer
profundamente esse mistério. E a fã deve ser iluminada pelo amor.
Explicando a expressão “Corpus Christi”, é uma expressão latina, que
significa “Corpo de Cristo”. O latim, por muito tempo e, até hoje, em
grandes solenidades, foi e é a língua oficial da Igreja. É por isto que
esta solenidade é denominada pela expressão latina.
O mundo de hoje está muito afastado do bem. Há muita violência, egoísmo,
indiferença, ganância, corrupção, falta de amor. Cabe a nós, que temos
fé, que celebramos a Eucaristia, participar das solenidades, não só
fisicamente, mas com os nossos melhores sentimentos, com muito amor,
para que a Eucaristia nos ajude a combater o mal dentro de nós e no
mundo, a fim de que vivamos a paz de Cristo e consigamos tornar esse
mundo melhor.
Fonte: Dom. Eurico dos Santos Veloso
Renovar a face da terra
09:11 - 25/05/2010
Cristo Jesus, tendo subido aos céus, enviou o seu Espírito Santo para
renovar a face da terra. O cristão é chamado a testemunhar no mundo a
força renovadora do amor que vem do sacrifício de Cristo na cruz.
Neste domingo celebramos a festa de Pentecostes. Recordamos a descida do
Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos, reunidos no
cenáculo; a primeira pregação do Evangelho em Jerusalém; a formação da
primeira comunidade cristã; o nascimento da Igreja de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
O protagonista escondido de tudo isso é o Espírito Santo. Ele operou
outrora e continua operando hoje na sua Igreja. E se lhe damos espaço,
intervém com eficácia também em nossa vida. Talvez até agora tenhamos
descuidado da presença do Espírito em nós, os seus convites para operar
o bem.
Notamos algo de curioso nas três leituras da missa deste domingo.
Normalmente, a mais importante é a do evangelho que apresenta Jesus
operando no meio dos homens. Nos últimos domingos a importância está na
primeira leitura, tomada do livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por
Lucas. Este livro nos conta a vida dos discípulos depois da ressurreição
do Senhor, a história da Igreja em seus inícios. Nesse livro encontramos
o relato por extenso de Pentecostes, acontecimento que dá origem à festa
de hoje.
Pentecostes significa quinquagésimo dia. Cinquenta dias depois da
Páscoa, os apóstolos com a Mãe de Deus recolheram-se no Cenáculo, a
grande sala na qual o Senhor tinha celebrado a última ceia. Eles
continuavam a recolher-se ali, depois da ascensão do Senhor, e sobre
eles veio descer o Espírito Santo. Nesse dia tem início a história da
Igreja no mundo. E, portanto começa também a história dos cristãos.
Desse acontecimento, o trecho do Evangelho nos apresenta somente uma
antecipação: narra como Jesus prometeu aos apóstolos o dom do Espírito
Santo, e lhes assegurou que nele haveriam de encontrar conforto, e dele
receberiam tudo que deveriam conhecer para a sua missão. Era a tarde da
Quinta feira Santa, depois da última ceia, durante o longo e comovente
discurso de adeus de Jesus aos apóstolos. Vivendo perto de Jesus tinham
percebido nele a presença do divino.
Pedro um dia tinha concluído também em nome dos outros: "Tu és o Filho
de Deus, tu tens palavras de vida eterna." Sentiam-se amados por Jesus,
e o amavam também. Para segui-lo tinham abandonado casa, família,
profissão, tudo. Mas Jesus lhes tinha advertido que um dia os deixaria.
Daí o seu desencorajamento, sua desilusão. Por isso a promessa de Jesus:
"Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Consolador, para que
permaneça convosco para sempre".
A palavra usada por Jesus foi Paráclito que significa Consolador e
também Advogado, para que nas circunstâncias difíceis lhes sugerisse o
que dizer diante dos homens e ainda nos tribunais.
Mas tudo isso se desenrolou na "Quinta Feira Santa", no recolhimento da
Última Ceia, na forma privada.
Ao invés, cinquenta dias depois da Páscoa, o Espírito Santo se fez
presente de forma sensível, manifesta, clamorosa, com sinais vistosos e
surpreendentes. São Lucas fala de "um trovão, um vento impetuoso". Fala
de "línguas como de fogo, que pousavam sobre Maria e os apóstolos".
Os apóstolos compreenderam bem aqueles sinais, acolheram o Espírito
Santo, sentiram-se transformados interiormente, venceram todo o medo.
Antes estavam escondidos no Cenáculo. Agora saem fora ao descoberto,
falam em público e anunciam a todos o Evangelho.
Assim nasceu a Igreja, como realidade histórica que se radica nas
cidades, nas nações e nos continentes, que percorre os séculos e os
milênios. Uma experiência de homens em diálogo com Deus, que desde dois
mil anos atravessa a história.
O protagonista é o Espírito de Jesus; protagonista na história da
humanidade e na pequena história de cada um de nós. Do Espírito de Deus
"está plena a terra", desde a criação, a Encarnação do Filho de Deus no
seio da Virgem Maria, no perdão dos pecados, e no testemunho cristão. Um
sentido de amor para a vida e aos irmãos que nasce do Espírito e nos faz
imitadores de Cristo.
Fonte: Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador
Como Morreram os Apóstolos de Jesus.

No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens que o
acompanhassem. Teriam esses homens uma importante responsabilidade:
Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A
reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de
haverem morrido.
Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade.
"Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite
orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e
escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo" (Lc
6.12-13).
A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela
sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado
judaico e conhecida, em realidade, como "Galiléia dos gentios". O
próprio Jesus disse:"Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao
céu? Descerás até ao inferno" (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses
doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com
clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do
poder transformador do Senhorio de Jesus.
Os doze apóstolos foram:
1) André;
2) Bartolomeu (Natanael);
3) Tiago (Filho de Alfeu);
4) Tiago (Filho de Zebedeu);
5) João;
6) Judas (não o iscariotes);
7) Judas Iscariotes;
8) Mateus;
9) Filipe;
10) Simão Pedro;
11) Simão Zelote;
12) Tomé;
13) Matias (Substituindo a Judas)
COMO MORRERAM OS APÓSTOLOS?
O martírio dos apóstolos foi anunciado
por Jesus: "Por isso, diz também a sabedoria de Deus: Profetas e
apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns e perseguirão outros" (Lucas
11.49). "E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis
entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa
do meu nome" (Lucas 21.16-17). Esta palavra diz respeito, também, aos
crentes de um modo geral. Ainda hoje, anualmente, milhares são
martirizados em todo o mundo. "Se a mim me perseguiram também vos
perseguirão a vós. mas tudo isso vos farão por causa do meu nome" (João
15.19-20). "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos.eles vos
entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas, e sereis
conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim."
(Mateus 10.16-18). Com relação aos sofrimentos e martírio de Paulo,
Jesus revelou: "Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome"
(Atos 9.16). Abro um parêntesis para uma reflexão: o Evangelho pregado
em nossas igrejas inclui a possibilidade de sofrimento por amor a
Cristo, ou anunciamos somente prosperidade, fartura, longevidade e
saúde? Vejamos como os apóstolos morreram:
ANDRÉ
Foi discípulo de João Batista, de quem ouviu a seguinte afirmação sobre
Jesus: "Eis aqui o Cordeiro de Deus". André comunicou as boas notícias
ao seu irmão Simão Pedro: "Achamos o Messias" (João 1.35-42; Mateus
10.2). O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a
Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma
cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se
prolongasse.
BARTOLOMEU
Tem sido identificado com Natanael. Natural de Caná de Galiléia. Recebeu
de Jesus uma palavra edificante: "Eis aqui um verdadeiro israelita, em
quem não há dolo" (Mateus 10.3; João 1.45-47) Exerceu seu ministério na
Anatólia, Etiópia, Armênia, Índia e Mesopotâmia, pregando e ensinando.
Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que
teria sido golpeado até a morte.
FILIPE
Natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Um dos primeiros a ser
chamado por Jesus, a quem trouxe seu amigo Natanael (João 1.43-46).
Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.
JOÃO
O apóstolo que recebeu de Jesus a missão de cuidar de Maria. "O
discípulo que Jesus amava" (João 13.23). Pescador, filho de Zebedeu
(Mateus 4.21 O único que permaneceu perto da cruz (João 19.26-27). O
primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20.1-10). A tradição
relata que João residiu na região de Éfeso, onde fundou várias igrejas.
Na ilha de Patmos, no mar Egeu, para onde foi desterrado, teve as visões
referidas no Apocalipse (Apocalipse 1.9). Após sua libertação teria
retornado a Éfeso. Teve morte natural com idade de 100 anos.
JUDAS TADEU
Foi quem, na última ceia, perguntou a Jesus: "Senhor, por que te
manifestarás a nós e não ao mundo?" (João 14:22-23). Nada se sabe da
vida de Judas Tadeu depois da ascensão de Jesus. Diz a tradição que
pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na
Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.
JUDAS ISCARIOTES
Filho de Simão, traiu a Jesus por trinta peças de prata, enforcando-se
em seguida.(Mateus 26:14-16; 27:3-5).
MATEUS
Filho de Alfeu, e também chamado de Levi. Cobrador de impostos nos
domínios de Herodes Antipas, em Cafarnaum (Marcos 2.14; Mateus 9.9-13;
10.3; Atos 1.13). Percorreu a Judéia, Etiópia e Pérsia, pregando e
ensinando. Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como
mártir na Etiópia.
MATIAS
Escolhido para substituir Judas Iscariotes (Atos 1.15-26). Diz-se que
exerceu seu ministério na Judéia e Macedônia. Teria sido martirizado na
Etiópia.
PAULO
Israelita da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5). Natural de Tarso, na
Cilícia (hoje Turquia). Nome romano de Saulo, o Apóstolo dos Gentios. De
perseguidor de cristãos, passou a pregador do evangelho e perseguido.
Realizou três grandes viagens missionárias e fundou várias igrejas.
Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou
70 (Atos 8.3; 13.9; 23.6; 13-20).
PEDRO
Pescador, natural de Betsaida. Confessou que Jesus era "o Cristo, o
Filho do Deus vivo" (Mateus 16.16). Foi testemunha da Transfiguração
(Mateus 17.1-4). Seu primeiro sermão foi no dia de Pentecostes. Segunda
a tradição, sua crucifixão verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma,
por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por
achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.
SIMÃO, o Zelote
Dos seus atos como apóstolo nada se sabe. Está incluído na lista dos
doze, em Mateus 10.4, Marcos 3.18, Lucas 6.15 e Atos 1.13. Julga-se que
morreu crucificado.
TIAGO, O MAIOR
Filho de Zebedeu, irmão do também apóstolo João. Natural de Betsaida da
Galiléia, pescador (Mateus 4.21; 10.2). Por ordem de Herodes Agripa, foi
preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.
TIAGO, O MENOR
Filho de Alfeu (Mateus 10.3). Missionário na Palestina e no Egito.
Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.
TOMÉ
Só acreditou na ressurreição de Jesus depois que viu as marcas da
crucificação (João 20.25). Segundo a tradição, sua obra de evangelização
se estendeu à Pérsia (Pártia) e Índia. Consta que seu martírio se deu
por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da
era cristã.
Fonte: associação Kirius.
O namoro cristão e suas exigências libertadoras
25/03/10 08:50
As amizades e os namoros devem ser marcados pelo autêntico desejo de
uma autoconstrução positiva, no respeito recíproco e na dedicação a
deveres assumidos com seriedade e responsabilidade. São ocasiões de
crescimento verdadeiro.
O tempo que antecipa a vivência do matrimônio deve ser uma etapa de
mútuo conhecimento, diálogo, oração e descoberta da pessoa amada numa
acolhida positiva e fecunda. É um tempo de aprender a superar os
conflitos e conviver sadiamente com as diferenças. Seguramente exigirá
algumas renúncias; estas, assumidas com coragem e generosidade, criarão
nos noivos ou namorados capacidades e possibilidades de assumirem sempre
novas renúncias e os desafios próprios na vivência madura de um
matrimônio autenticamente cristão.
O deterioramento de certos casamentos pode ter como causa o desgaste. E
por que este amor esfriou e acabou? Por faltarem bases sólidas. O amor,
durante o tempo do namoro, foi superficial, muito apegado aos prazeres e
às facilidades. Faltou a renúncia, a oblatividade. Talvez tenha sido
marcado pela incapacidade de sofrer e dar a vida pela pessoa amada. Sem
o espírito altruísta, sem a gratuidade que se consolida no sacrifício e
na renúncia, o amor não se sustenta.
Quem pode garantir que haverá fidelidade nas tribulações, nas crises
matrimoniais, nas doenças, nas dificuldades econômicas, nos desafios do
controle de natalidade responsável, da gestação e da criação dos filhos,
nas tentações de outros amores que prometem e parecem resolver todos os
problemas? Os noivos, na liturgia do matrimônio, prometem ser fiéis um
ao outro "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e
respeitando-se todos os dias da própria vida". Estas promessas não serão
cumpridas quando o amor é hedonista, egoísta, superficial, sem nenhuma
capacidade de abraçar renúncias e sofrimentos. A intimidade - tantas
vezes entendida como acesso ao corpo do outro - "acontece quando um
indivíduo é capaz de equilibrar o dar e o receber e pode buscar
satisfazer mais o outro do que simplesmente buscar a auto-satisfação e o
sucesso".
Relacionamentos superficiais e instrumentalizadores da pessoa do outro
em proveito próprio (do próprio prazer) podem gerar frustrações,
desconfianças e medo de viver um relacionamento profundo e verdadeiro.
É bem verdade que um desejo de manifestar fisicamente o amor, o afeto
profundo, é natural e compreensível. Mas quando assume conotações
claramente sexuais (através de carícias que induzem ao uso da
genitalidade) esse relacionamento queima etapas e assume atitudes que
são próprias do matrimônio enquanto convívio estável na manifestação de
um amor esponsal sacramentalizado com finalidades unitivas (o bem dos
cônjuges) e procriativas (abertura à geração de filhos), formando assim
uma família.
Se o amor humano, na sua expressividade sexual-genital e demais
dimensões, foi elevado à dimensão de sacramento, então significa que o
uso da sexualidade-genitalidade antes do matrimônio não manifesta só a
ausência de um rito, mas a ausência da Igreja e, por conseguinte, de
Cristo.
Na intimidade sexual, e também nas demais expressões da união
matrimonial, Deus se serve da mediação dos esposos para manifestar o seu
amor. Deus ama o esposo através da esposa e a esposa através do esposo.
E quem introduz Cristo e sua graça no convívio estável de uma vida a
dois entre um homem e uma mulher é exatamente o sacramento do
matrimônio. Por isso, seria banalizar o matrimônio todo reducionismo da
sexualidade ao prazer genital ou destituir tal prazer da necessidade de
uma inclusão integrada na esfera do amor a dois elevado à dignidade de
sacramento.
Bem nos ensina o prof. Felipe Aquino: "A vida sexual de um casal não
pode começar de qualquer jeito, às vezes dentro de um carro numa rua
escura, ou mesmo num motel, que é um antro de prostituição. (...). O
namoro é tempo de conhecer o coração do outro, não o seu corpo; é tempo
de explorar a sua alma, não o seu físico. (...). Espere a hora do
casamento, e então você poderá viver a vida sexual por muitos anos e com
a consciência em paz, certo de que você não vai complicar a sua vida, a
da sua namorada, e nem mesmo a da criança inocente".
A partir disso, a pessoa estrategicamente vai evitando tudo o que de
alguma maneira pode excitá-la ou agitá-la sexualmente, tendo sempre em
vista um bem maior. Assim, namorados e noivos evitarão carícias
exageradas, uma vez que isso levará a certos movimentos hormonais e
psíquicos que direcionarão a uma busca de prazer, culminando no uso da
genitalidade. Se, por exemplo, o encontro dos namorados é em lugar
isolado e esta solidão constitui a possibilidade de certas liberdades,
seria bom passar a namorar em lugar mais iluminado e freqüentado por
outras pessoas. Bom seria dialogar mais, algumas vezes rezar juntos etc.
Um namoro autêntico não se esgota nas manifestações afetivas de ordem
física. O importante é usar de sinceridade consigo mesmo e com Deus.
O senso da medida, a prudência e a temperança, o bom senso e o
discernimento evangélico vão abrindo os caminhos para namoros e noivados
santos e maduros. Quem aprendeu a se controlar e a viver estas saudáveis
renúncias agora, se capacitará para viver as renúncias que lhe serão
exigidas no matrimônio. Além disso, o auxílio divino é sempre
indispensável. "Tu me ordenas a continência: concede-me o que ordenas, e
ordena o que quiseres".
Rezar e viver a amizade com o Senhor ajuda a entender
que, mesmo existindo elementos de ordem biológica e psíquica ou mesmo
influências de ordem sociocultural, existem também forças espirituais
que atuam nesse contexto. Não nos iludamos, nossa luta não é apenas
"contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades,
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos
malignos espalhados pelos ares" (Ef 6,12). Poderíamos até considerar
ingenuidade o fato de tantas pessoas atribuírem somente à esfera
bio-psíquica uma realidade que também comporta um acirrado combate
espiritual!
Diz o apóstolo que "Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade"
(1Ts 4,7), e para tanto ele exorta: "Mortificai, pois, os vossos membros
terrenos: fornicação, impureza, paixão, desejos maus, e a cupidez, que é
idolatria" (Cl 3,5).
O próprio Mestre Divino aborda o assunto afirmando essa necessidade:
"Por isso, se o teu olho direito é para ti ocasião de queda, arranca-o e
lança-o para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos
teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado na geena. E, se tua
mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a para longe de
ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros do que todo
o teu corpo seja lançado na geena" (Mt 5,29-30).
Note-se, porém, que este arrancar não deve ser entendido no sentido
literal, pois tudo o que Deus colocou no corpo humano tem uma finalidade
boa, um sentido positivo, válido e significativo: "Deus viu tudo o que
tinha feito; e era muito bom" (Gn 1,31). Todas as pessoas, tanto os
celibatários quanto os casados, precisam tomar consciência que os órgãos
sexuais continuam sendo sagrados e fazem parte do grande tabernáculo do
Espírito Santo que é corpo humano e integram a dignidade da pessoa
humana. Portanto, o sentido do cortar, arrancar, lançar fora não diz
respeito ao anular, destruir ou sufocar, mas envolve um direcionamento
que leve a integrar, direcionar, sublimar numa dinâmica positiva de
abertura ao querer de Deus.
Para que este processo atinja níveis de bom êxito na vivência da
castidade, vai ser muito útil que a vontade seja sadiamente exercitada,
iluminada por uma consciência bem esclarecida; eis a importância dos
estudos, da reflexão da Escritura e, sobretudo, da intimidade com Deus
na oração.
O Senhor também diz que o "olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for
são, todo o teu corpo terá luz. Mas se o teu olho for defeituoso, todo o
teu corpo estará em trevas" (Mt 6,22-23). Portanto, se a inteligência e
a vontade do homem forem obscurecidas e corrompidas pelo apego aos bens
passageiros da terra ou pelas paixões ou apetites desordenados, toda a
vida espiritual da pessoa ficará comprometida e corrompida pelo vício e
como que lançada na escuridão, sem possibilidade de discernir o bem do
mal e apreciar as coisas retamente.
À luz desta indicação que o Senhor nos oferece, importa abraçar com
generosidade uma vida de sacrifício. É tolice imaginar que terá domínio
e controle sereno de seus impulsos sexuais quem se expõe às ocasiões,
quem tem vida mole, folgada, vive no conforto, na preguiça, no
espontaneísmo, na falta de disciplina pessoal.
Os casais de namorados e noivos, bem como cada indivíduo, busquem
trabalhar-se corajosamente, encontrar soluções e não desistir de
conduzir livremente a própria vida exercendo um decidido senhorio sobre
seus impulsos, tendo por base os valores evangélicos e o equilíbrio
afetivo.
A felicidade é também uma conquista que brota do autodomínio. A Igreja
nos instrui que o domínio de si mesmo "é um trabalho a longo prazo.
Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a
ser retomado em todas as idades da vida" (Cat, 2342). A quem
sinceramente se empenhar para atingir este bem-aventurado autodomínio,
não faltará o auxílio generoso e abundante da graça divina. Vale a pena
conferir!
Pe. Marcos Chagas
Domingo de Ramos
00:55 - 25/03/2010
A quaresma foi o transcurso de um longo caminho percorrido para a
chegada da Páscoa. Uma experiência de conversão, de mudança de atitudes,
principalmente tendo em vista o enunciado pelo tema da Campanha da
Fraternidade deste ano, “Economia e Vida”.
Muitos cristãos fizeram algum tipo de penitência, como jejum de comida,
de bebida, de palavras, de gastos supérfluos, de violência ou
agressividade, de jogar lixo fora da lixeira, de respeito para com a
ecologia etc. Só que isto deve acontecer, não só na quaresma, mas à vida
toda.
O trajeto de Jesus aconteceu na Palestina, terminando com sua triunfal
chegada em Jerusalém, onde foi recebido com festas e com tapetes e ramos
espalhados pelas ruas. Esse fato constitui para nós hoje o que
celebramos no Domingo de Ramos, marcando o início da Paixão, ou da
Semana Santa.
O povo estava maravilhado com Jesus, porque Ele realizava muitos
milagres. Foi então recebido com gritos de alegria, tendo a esperança do
resgate da vida e da liberdade contra a escravidão política, econômica e
religiosa daquele tempo.
A voz do povo é sempre muito forte. Queriam calar sua boca, mas Jesus
disse que se isto acontecesse, até as pedras falariam. Muitas
autoridades ficaram incomodadas com o jeito de ser e a popularidade de
Jesus. Por isto tramaram sua morte.
Os meios de comunicação do tempo conseguiram “fazer a
cabeça do povo” contra a identidade de Jesus. Fizeram o povo pedir a sua
morte. O resultado foi o que vivenciamos principalmente nas cerimônias
do Tríduo Pascal, na 5ª, 6ª Feira e Sábado Santo.
A prática de Jesus era sempre de um rei muito pacífico e humilde, com
atitudes de serviço e não de poder. Enfrentou, sem violência, o que lhe
foi imposto pela violência humana. Ele venceu os sofrimentos pela
violência do amor.
Desejamos para você, caro leitor/a, uma Semana Santa de reflexão, de
renovação de seus compromissos cristãos, e os votos de um Tríduo Pascal
centrado no respeito, no amor e na doação assumido por Jesus Cristo.
Fonte: Dom Paulo Mendes Peixoto
O papel da família no terceiro milênio
09:30 - 22/03/2010
A primeira década do século XXI tem sido marcada por uma “confusão
de valores e uma perda de referências”, realidade que atingiu muitas
famílias. Foi o que afirmou na última quarta-feira o cardeal Marc
Ouellet, arcebispo de Quebec e primaz do Canadá.
O purpurado discursou sobre o tema “O papel da família no terceiro
milênio”, no congresso “Oriente e ocidente: em diálogo sobre o amor e a
família”, realizado nesta semana no Instituto João Paulo II para Estudos
sobre a Família e o Matrimônio da Pontifícia Universidade Lateranense de
Roma.
“A humanidade vive hoje uma crise sem precedentes”, afirmou o cardeal
Quellet, sublinhando alguns aspectos como a crise dos recursos naturais,
o colapso financeiro, o terrorismo internacional e o relativismo moral –
fenômenos, segundo ele, ligados à crise da fé. “No último século,
modificou-se a imagem que o homem tem de si mesmo”, afirmou.
A crise cria também uma “confusão alimentada por uma linguagem ambígua”.
Por isso, observa o purpurado, a crise atual “não é tão somente uma
crise moral ou espiritual, mas principalmente antropológica, pois
questiona a própria humanidade”.
Magistério e família
O purpurado lembrou como o Concílio Vaticano II foi capaz de abordar os
desafios que se vislumbrava às portas do terceiro milênio. Destacou
também como a Constituição Pastoral Gaudium et Spes tratou da questão da
família, que deve viver “segundo a graça da semelhança trinitária”.
Da mesma forma, enfatizou a importância da família como “igreja
doméstica”, afirmando que esta deve ser “recolocada no coração da
Igreja”.
“A união introduz a família na relação entre Cristo e a Igreja,
inaugurando uma nova dinâmica. Os cônjuges devem estar empenhados em
amarem-se com Deus e em Deus”, acrescentou o purpurado.
Nutrir-se de Deus para projetar-se no mundo
O cardeal Oullet destacou como a Exortação Apostólica Familiaris
Consortio de João Paulo II, publicada em 1981, constitui fruto das
reflexões conduzidas durante o Concílio Vaticano II sobre a vocação e o
papel da família, em especial sobre a necessidade de aprofundar o tema
do homem e da mulher como seres criados à imagem e semelhança de Deus.
Recordou ainda que a vocação da família é ser “igreja doméstica”, com
base nas palavras de São João Crisóstomo, que dizia “Faz de tua casa uma
Igreja”, enfatizando que “há ainda muito a se descobrir neste sentido”,
visto que a família não é apenas “uma imagem da Igreja, mas também uma
realidade eclesial”.
No matrimônio, acrescentou o purpurado, verifica-se “a unidade do ‘nós’
não de maneira simbólica, mas real”, e os esposos “se doam e recebem a
Cristo também no cotidiano”, como resultado de um “carisma de unidade,
fidelidade e fecundidade”.
“O amor é o caminho da perfeição humana em Cristo”, assinalou o cardeal,
mostrando como o amor conjugal representa a união de Eros e ágape. “Um
amor plenamente humano, sensível, espiritual, fiel, exclusivo até a
morte, que não se exaure e que continua a suscitar novas vidas”.
Um amor que, à semelhança da Trindade, “comporta em si uma abertura ao
Filho, e, de maneira ainda mais profunda: o Filho e o Espírito que se
doam aos esposos como fruto do amor”, uma comunhão que envolve “não
apenas uma abertura ao Espírito e ao Filho, mas também à sociedade”.
Deste modo, indicou o arcebispo de Quebec, a família “participa da
missão salvadora da Igreja”, de modo que tantos os esposos quanto os
filhos se tornam “Focolares da comunhão interpessoal habitada por Cristo
e escola de liberdade”, e assim podem “responder à confusão de valores
da cultura de morte, da cultura da posse e do efêmero”.
Fonte: Zenit
Quando um padre se mobiliza, os fiéis o
seguem com alegria
15:24 - 19/03/2010
Do dia 26 a 30 de maio, a paróquia Santo Eustorgio de Milão, na
Itália, acolherá sacerdotes e leigos de diversos continentes para um
seminário internacional sobre as células paroquiais de evangelização.
Esse sistema introduzido na Europa há 22 anos está em grande expansão
atualmente no mundo.
O seminário prestará especial atenção ao compromisso do organismo
internacional de serviço ao sistema das células paroquiais de
evangelização, na difusão desse método nos países mais distantes da
África até a China.
A iniciativa também propõe um simpósio internacional para sacerdotes,
dia 27 de maio, sobre o tema “O sacerdote na nova evangelização”, assim
como uma formação específica para os líderes dessas células, nos dias 28
e 29 de maio.
O seminário é voltado para todos os que desejam descobrir o método do
padre Pigi, pároco da paróquia de Santo Eustorgio e presidente do
organismo internacional das células.
Um sistema que tem sede na Europa e deve ter sua “durabilidade
garantida”, segundo palavras do decreto de reconhecimento enviado
oficialmente pela Santa Sé em maio do ano passado.
Esse reconhecimento é por um serviço que ajuda cada sacerdote a devolver
uma consciência missionária aos fiéis de sua paróquia.
Padre Pigi está convencido de que “quando um pároco se mobiliza
realmente, os fiéis o seguem com entusiasmo”.
Em uma entrevista com ZENIT, recorda os objetivos dessas células e
mostra como este método, adaptado à vida paroquial, não para de despejar
graças sobre paróquias dos cinco continentes, “prova viva de sua
fecundidade”.
–No que consiste o seminário? Quais serão os pontos especialmente
abordados?
–Pe. Pigi: No próximo seminário teremos um tema geral que tratará o
compromisso do Organismo internacional de serviço do sistema de células
paroquiais de evangelização, referente à difusão de nosso método de
evangelização nos países mais distantes da África até a China.
Apresentaremos o método de evangelização de oikos, que é a marca que
difere nossa proposta em termos de evangelização.
A evangelização de oikos consiste em evangelizar os que se encontram
habitualmente em sua vida cotidiana: familiares, amigos, companheiros de
trabalho, vizinhos: eles são destinatários do anúncio do amor de Deus.
É por isso que podemos dizer que todos estão convidados a proclamar
Jesus, não somente os consagrados, sacerdotes ou missionários, mas sim
todos, animados pela força de seu batismo, receberam o grande mandato de
Jesus de anunciar o amor de Deus.
Mas nunca houve evangelização de oikos possível sem a oração, porque a
evangelização passa pela ação do Espírito Santo. Nós somos apenas
simples instrumentos em suas mãos.
A evangelização é antes de tudo um compromisso de oração: por isso, em
nossa comunidade de Santo Eustorgio, e eu diria que em quase todas as
comunidades nas que estão presentes as células, há adoração eucarística.
Durante esse seminário, falaremos da função do Espírito Santo, porque,
como escreveu o Papa Paulo VI em sua exortação apostólica Evangelii
Nuntiandi no n° 75, “O Espírito Santo é o agente principal da
evangelização: é ele quem leva cada um para proclamar o Evangelho e que,
no fundo da consciência, faz aceitar e compreender a Palavra de
salvação”.
Temos de educar aos fiéis leigos e talvez também os sacerdotes para que
tenham vínculos familiares com o Espírito Santo, abrindo suas ações de
forma discreta e poderosa.
As células de evangelização visam a revitalizar a paróquia, que
descobrirá então sua verdade identidade e favorecerá a vocação
missionária de todos os crentes, como nos sugere Paulo VI na Evangelii
Nuntiandi no n° 14.
“Evangelizar é, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua
identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar”. afirma.
E João Paulo II na Christifideles Laici, no n° 33: “Os fiéis leigos,
precisamente porque são membros da Igreja, têm a vocação e a missão de
anunciar o Evangelho: para essa atividade estão capacitados e
comprometidos pelos sacramentos da iniciação cristã e pelos dons do
Espírito Santo”.
Reconhecendo essa responsabilidade, os leigos vão ser o fermento que
transformará a face da paróquia. Mas tudo isso não será possível se o
sacerdote, por sua vez, não se abrir definitivamente e firmemente ao que
dá singularidade ao seu serviço sacerdotal, ao que dá uma profunda
unidade às milhares de ocupações solicitadas dele ao longo de sua vida:
anunciar o Evangelho de Deus e formar leigos evangelizadores.
É transformando-se em uma paróquia viva e evangelizadora que a paróquia
mudará de rosto.
–Para quem é dirigido esse seminário e qual é o fio condutor com o do
ano passado?
–Pe. Pigi: O seminário se dirige a todos os sacerdotes que desejam
transformar sua paróquia e também descobrir novos caminhos de
evangelização, seguindo os ensinamentos do Papa.
Esses sacerdotes irão acompanhar diversos leigos de sua comunidade de
forma que esse pequeno grupo que se formará possa representar uma força
motriz no interior da paróquia.
Esste ano, abordaremos mais especificamente a formação dos que estão
convidados a serem os “líderes” desses pequenos grupos que são células.
–O método das células de evangelização fará 1 ano em maio que foi
reconhecido pela Santa Sé. Esse reconhecimento teve impacto sobre seu
crescimento nesse ano e sobre a percepção que alguns poderiam ter desse
método de evangelização?
–Pe. Pigi: Claro, muitos preconceitos desapareceram, porque esse
reconhecimento oficial, que não havíamos pedido, mas que o Conselho
Pontífico para os Leigos nos ofereceu, qualifica-nos no plano das
atividades da Igreja universal como tal, garantindo a ortodoxia do
método sobre a base dos resultados espirituais e de difusão obtidos até
agora.
Esse reconhecimento, que expressa a vontade da Igreja de que continue
esse método, confirma o catolicismo e a validade pastoral de uma
proposta capaz de renovar profundamente, e de uma visão missionária, às
comunidades paroquiais.
–Há novas paróquias que decidiram, desde então, recorrer a esse método?
–Pe. Pigi: Sim, vemos, de fato, que centenas, talvez milhares, de
paróquias no mundo adotaram com êxito este método de evangelização
através das células.
No Decreto de reconhecimento, está escrito: “Isso porque a comunidade
paroquial é o tecido eclesial no qual se integra o conjunto do sistema
das células. Seu desenvolvimento em diversos países através do mundo
demonstra a validade desse método, que contribui com a resposta do
convite do Papa João Paulo II a uma “nova evangelização, nova em seu
ardor, seus métodos e suas expressões” (Discurso à IXI Assembleia do
Conselho Episcopal Latino-Americano, 9 de março de 1983).
Desde a apresentação do Decreto de Reconhecimento, obtido em 29 de maio
de 2009, surgiram novas iniciativas em diversos países do mundo. Muitas
comunidades nos convidaram para apresentar esse método e muitos
sacerdotes e leigos estão vindo conhecer nossa realidade.
Temos vivido uma experiência importante e significativa com as
comunidades chinesas que, através de ouvir falar desse método de
evangelização no âmbito paroquial, vieram participar do Seminário
Internacional do ano passado.
Também temos visitado as comunidades paroquiais do Brasil e da
Venezuela, onde a experiência das células paroquiais está produzindo
outras centenas de células.
No mês de janeiro de 2010, se reuniram em Santo Eustorgio os promotores
de área, como são chamados os que se ocupam das células presentes nas
diferentes regiões geográficas ou linguísticas do mundo.
Essa reunião foi uma oportunidade para colocar online o website
internacional de células, que representa uma boa ferramenta de
evangelização. Seu endereço é www.cells-evangelization.org.
O encontro também ofereceu formação da equipe internacional encarregada
da formação de líderes e co-líderes.
Além disso, nos permitiu saber como e com qual amplitude as células se
propagam pelo mundo.
Hoje mesmo eu conheci o nascimento de 17 células em uma paróquia da
Letônia e fiquei sabendo que trinta pessoas dessa paróquia participarão
do próximo seminário de 26 a 30 de maio.
–Quais são os países mais adeptos dessa diferente maneira de vida na
paróquia?
–Pe. Pigi: Na França, Bélgica, Irlanda, Itália, Brasil, Venezuela,
países da Europa Oriental, entre outros.
Em suma, onde a paróquia tende a adormecer, as células podem
representar uma ocasião para renovar os sacerdotes e os fiéis leigos.
Fonte: Zenit
“A ORAÇÃO FONTE DE VITALIDADE PARA NOSSA
VIDA CRISTÔ
17/03/10 15:00
A oração é colocar-se na presença silenciosa de Deus.
A oração é procurar Deus em nosso coração.
A oração é a única via que nos faz perceber em vida a ação maravilhosa e
misericordiosa de nosso Deus.
A oração é um momento único de intimidade com Deus.
O Evangelista Lucas (9,28) nos traz o convite de Jesus para “orarmos
juntos com Ele”. Jesus e nós na oração: um encontro de paz, contemplação
da glória de Deus e deixar-se envolver pelas suas maravilhas.
A oração é um exercício para prepararmos os nossos ouvidos e o nosso
coração para acolher o chamado de Deus para a santidade e para no mundo
sermos um exemplo vivo de bons cristãos. Uma boa dica para todos é que o
cristão precisa para vivificar o seu espírito, no mínimo três horas por
dia, de recolhimento em oração. Veja que desafios diários que temos
diante de tantos afazeres e compromissos profissionais, familiares e até
comunitários. Nem tudo o que fazemos dentro ou fora da comunidade é
exercício de oração.
Para conseguirmos nos colocar em atitude de oração se faz necessário
alguns requisitos:
1 – Humildade: todo orante é “mendigo de Deus”. A oração nasce do
coração humilde e humilhado. O humilde reconhece a grandeza de Deus. A
humildade é o fundamento da oração.
2 – Confiança: junto com a humildade vem a confiança que leva o orante a
colocar-se totalmente nas mãos de Deus.
3 – Perseverança: a confiança gera a perseverança, pois o orante fiel,
se entrega plenamente nas mãos em quem confia.
4 – Necessidade: a maravilha da oração se
revela justamente ai, à beira dos poços aonde vamos procurar nossa água.
Cristo vem ao encontro da nossa sede. Deus tem sede de que nós também
tenhamos sede d’Ele.
Por outro lado para ouvirmos Deus falar conosco em nossa oração se faz
necessário darmos mais alguns passos:
1 – Atitude de louvor: em tudo e por tudo seja louvado o Senhor.
2 – Rompimento com o mal e o pecado: afastar-se do mal e apegar-se ao
bem, evitando todas as ocasiões de pecado.
3 – Vida de pureza: o orante deve conservar sua consciência (Jo
17,15-26), seu coração (Lc 24,13-35), sua mente (1Tim 4,14), suas ações
(2 Cor 1,3-11), em estado de pureza para poder ouvir a forte voz
inspiradora de Deus.
Seguindo todos estes requisitos e passos, nossa oração se constituirá
numa relação de confiança e aliança entre Deus e nós. É ação de Deus e
nossa, por isso consiste em estarmos habitualmente na presença de Deus e
em comunhão com Ele por bom e adequado tempo por dia.
Não parece-me que Jesus rezasse “por obrigação”, como que constrangido
por um penoso dever. Ao contrário rezava espontaneamente em diversas
ocasiões e lugares. Em sua oração Jesus se deixava possuir por Deus, seu
pai, nas horas silenciosas da noite ou logo ao amanhecer (Mc 1,35; Lc
6,12). Era no Pai que encontrava alento, coragem e a razão de ser de sua
vinda-missão (Jo 4,34; 5,30; 6,38).
O modo de orar de Jesus deveria despertar em nós, como despertou nos
apóstolos, o desejo de rezar como Ele. Jesus revela na sua oração o
mistério mais profundo da sua pessoa. Mistério de intimidade profunda
com o Pai, que Ele amava e de quem se sabe amado. Jesus mesmo nos
ensina: “Quem me vê, vê o Pai...”(Jo 14,8-10); “Eu e o Pai somos um” (.
Mistério este que nos transcende. E que nós compreenderíamos se nos
abríssemos mais a oração.
Como pastor da Paróquia São João de Brito – Diocese de Santo Amaro – São
Paulo, muitas vezes em minhas homilias e orientações pastorais aos meus
coordenadores e membros das pastorais, procurei faze-los perceber o
quanto é importante este momento de “intimidade” com Deus pela oração.
Mais uma vez quero exortar os internautas, os ministros, os catequistas,
os jovens e também particularmente os que tem responsabilidade pastoral
entre nós, o quanto é necessário esta vida de oração para revitalizar a
nossa vida cristã. Rezem, rezem, rezem muito, para que a nossa vida seja
expressão da vontade divina. São Paulo nos ensina: “Orai sem cessar”.
Lembrem-se o cristão que não reza “vira bicho”, fica surdo e insensível.
Desconhece a vontade do Senhor e fica incapacitado de ouvir e
compreender a voz de Deus. Além do mais a pessoa que não reza fica
soberba (perda a humildade e da necessidade de Deus), achando que sua
vontade (planos e projetos) são mais importantes do que os de Deus para
sua vida.
A oração fortalece a nossa coragem, todos
os dias para não nos deixarmos vencer pelo mal, pelas injustiças, pelas
mentiras, pela violência e pelas seduções deste mundo. A intimidade de
nossa oração com Deus pode nos ajudar a encontrar saídas, soluções para
os nossos problemas impostos pela vida. A oração não é feita para
resolver problemas. Ela é feita para não desanimarmos na busca de
soluções para eles.
Guarde em seu coração meu irmão internauta, minha irmã internauta: a
oração é o tempo que o Senhor precisa para trabalhar em seu coração. E a
quaresma é esse tempo por excelência.
Confie a sua vida ao Senhor !!! Já orou
hoje?
Fonte : Pe. Oswaldo Gerolin Filho
Presidente do Portal Católico
O ministério do acolhimento
15:12 - 15/03/2010
Um dos grandes empenhos do meu antecessor no serviço desta nossa querida
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Cardeal D. Eusébio
Oscar Scheid, foi com o Ministério do Acolhimento, que ele deu início
oficial e foi um tema ao qual ele se dedicou com carinho que, além do
empenho pastoral, também escreveu um livro sobre o assunto.
Quero retomar esse tema importante e necessário. Gostaria que ele
continuasse com o mesmo ardor com que se iniciou e fosse ainda mais
incrementado. O acolhimento não se resume apenas no fato da entrega de
folhetos na porta de nossas igrejas no momento das missas dominicais.
Ele vai muito mais além como, aliás, assim se referiu D. Eusébio. É
muito importante que busquemos ser uma Igreja acolhedora sempre, tanto
nas secretarias, sacristias, pastorais, residência paroquial, catequese
– enfim, em todas as atividades.
Uma delas, porém, creio que seria muito importante que conquistássemos:
permanecendo abertas nossas igrejas, termos sempre pessoas que acolham
os que ali chegam, muitas vezes machucados pela vida e circunstâncias da
grande cidade, e que querem uma palavra de conforto e um caminho a ser
trilhado.
Acolher o pobre, o excluído e o necessitado, algumas vezes pessoas que
se jogaram no álcool e na droga, deveria também ser uma missão diaconal
de nossas comunidades. Muitas paróquias e instituições entregam
alimentos, roupas e cuidam dos irmãos que residem nas ruas da cidade,
mas acredito que devemos avançar – e muito – na direção da superação da
miséria e da fome.
Faltam-nos pessoas que exerçam o ministério do acolhimento por mais
tempo e façam disso o seu trabalho de evangelização. Quantas pessoas
poderiam ser evangelizadas só pelo acolhimento em nossas comunidades?
Cada igreja tem situações especiais: algumas são frequentadas por muitas
pessoas durante o dia e em outros locais a frequência diurna é menor,
mas aumenta durante a tarde. Enfim, são situações às quais temos que
estar atentos. Temos algumas igrejas que estão abertas 24 horas por dia.
É um belo exemplo que, mesmo com as dificuldades da violência, existem
locais de oração, adoração e acolhimento onde mesmo os notívagos podem
passar para rezar e adorar a Cristo presente na Eucaristia, além de
encontrar pessoas abertas a acolher.
No dia 27 de fevereiro, durante a peregrinação do clero da arquidiocese,
dentro do Ano Sacerdotal, pessoalmente, com muita alegria ao querido
clero da nossa Arquidiocese, entreguei uma carta dedicada a todos os
presbíteros que trabalham nesta bela Igreja Metropolitana de São
Sebastião do Rio de Janeiro. Nela, entre outros assuntos, recordei aos
nossos presbíteros esse importante ministério e a necessidade de
criatividade para melhor empreender a evangelização e concretizar a
missão.
Infelizmente temos observado que, não raras vezes, por questões várias,
seja pela escassez de sacerdotes, seja pelo tempo tomado com tantas
solicitações burocráticas, os padres não conseguem atender a todas as
necessidades pelas quais são procurados. É muito o trabalho e poucos os
operários. Por isso é muito importante os irmãos e irmãs que se dispõem
a servir como evangelizadores nesse belo ministério do acolhimento ou,
como costumam chamar em outros lugares, a pastoral da acolhida.
Urge levar em consideração que a própria paróquia – e às vezes também a
diocese –, ainda tendo autonomia própria, não pode ser uma ilha,
especialmente em nosso tempo, no qual abundam os meios de transporte e
de comunicação. As paróquias são órgãos vivos do único Corpo de Cristo,
da única Igreja, na qual se acolhe e se serve tanto os membros das
comunidades locais como todos os que, por qualquer razão, afluem a ela
em um momento que pode significar a ação da graça de Deus em uma
consciência e em uma vida.
A paróquia, com suas celebrações litúrgicas e em seus serviços, teria
que levar em consideração a mobilidade das pessoas, a confluência de
muitas delas a alguns lugares e a nova assimilação geral de tendências,
costumes, modas e horários. Para cada situação e local, os horários e
atendimentos serão diferenciados devido à inculturação na região.
O pároco, ao estabelecer na paróquia os horários das Missas e das
confissões, deve considerar quais são os momentos mais adequados para a
maior parte dos fiéis, permitindo também aos que têm dificuldades
especiais de horário que possam se aproximar facilmente dos sacramentos.
É preciso levar em conta as necessidades das pessoas com os horários de
trabalho e estudo. A maleabilidade e a abertura para verificar o melhor
momento fazem com que muitos irmãos tenham oportunidade de participar de
nossas celebrações. Isso também é acolhida.
O presbítero, padre e bispo, enquanto partícipe da ação diretiva de
Cristo Cabeça e pastor sobre seu Corpo, está especificamente capacitado
para ser, no campo pastoral, o “homem da comunhão”: “Fazer da Igreja a
casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no
milênio que começa se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e
corresponder às expectativas mais profundas do mundo” (NMI, n. 43).
Na nova estrutura paroquial, que procura ser descentralizada e também
atender pessoalmente a cada pessoa que vem à paróquia, não cabe que o
pároco faça tudo sozinho. O pároco não tem condições de realizar
pessoalmente todas as atividades na paróquia, mas deve procurar que se
realizem de maneira oportuna, conforme a reta doutrina e a disciplina
eclesial, no seio da paróquia, segundo as circunstâncias e sempre sob a
própria responsabilidade.
O sacerdote deve ajudar os leigos a descobrirem e realizarem sua vocação
específica em comunhão com os demais fiéis. O realizador desta comunhão
e desta pertença de comunhão do presbítero ao povo de Deus é o Espírito
Santo. Dado que Ele impregna e motiva todas as áreas da existência,
então também penetra e configura a vocação específica de cada um. Assim
se forma e desenvolve a espiritualidade própria de presbíteros, de
religiosos e religiosas, de pais de família, de empresários, de
catequistas e outros. Cada uma das vocações tem uma forma concreta e
distintiva de viver a espiritualidade, que confere profundidade e
entusiasmo ao exercício de suas tarefas.
O apostolado dos leigos se desenvolve em boa parte das associações e
movimentos que atuam em plena sintonia eclesial e em obediência às
diretrizes dos pastores. É com pessoas bem formadas e animadas pelo zelo
evangelizador que iremos trabalhar com afinco nessa missão de
acolhimento em nossas comunidades, procurando fazer com que todo o clima
paroquial esteja respirando nessa direção.
Para que tudo isso aconteça é necessário que façamos uma revisão da
maneira como acolhemos quem vem à Igreja e procura um encontro pessoal
com Jesus ou com o padre, que na paróquia faz às vezes do Bispo
Diocesano. Os Papas mesmos manifestaram a sua alegria em serem bem
acolhidos quando fizeram a sua visita apostólica no Brasil, conforme
expressou Sua Santidade o Papa Bento XVI, no Rosário por ele presidido
na Basílica de Aparecida: “Agradeço a acolhida e a hospitalidade do Povo
brasileiro. Desde que aqui cheguei fui recebido com muito carinho! As
várias manifestações de apreço e saudações demonstram o quanto vós
quereis bem, estimais e respeitais o Sucessor do Apóstolo Pedro. Meu
predecessor, o Servo de Deus, Papa João Paulo II, referiu-se várias
vezes à vossa simpatia e espírito de acolhida fraterna. Ele tinha toda
razão!”.
Sim, é esta simpatia e acolhida, sem fingimentos, mais verdadeira, que
deve embalar o espírito de todo aquele que é ministro sagrado e os seus
principais colaboradores, os fiéis leigos. Que bom seria que ao
chegarmos às Paróquias encontrássemos sempre alguém a nos acolher e
informar com simpatia. Aliás, esse é um dom que todo carioca tem pela
sua própria história e formação. Esta é uma cidade acolhedora e alegre
por natureza. É necessário que possamos fazer disso também uma maneira
de evangelizar.
Algumas palavras e alguns gestos são simples e fazem muito bem: uma
alegre equipe de acolhida que dissesse aos fiéis bom dia, boa tarde, boa
noite, seja bem-vinda, Deus te abençoe. Um grande amigo nosso, D.
Luciano Pedro Mendes de Almeida, se caracterizou por uma frase que era
praticamente a sua vida: “em que posso ajudar?” Que bom seria que sempre
assim o fizéssemos em nossas comunidades! A acolhida fraterna dos que
procuram as nossas paróquias, capelas, comunidades, centros comunitários
vai fazer a diferença na nova evangelização.
Por que acolher bem? O acolhimento fraterno e alegre nos leva a outra
indagação: o que o fiel procura em nossas comunidades, ou melhor, quem é
que eles vêm procurar? A resposta só pode ser uma: vieram, mesmo sem
saber com clareza, à procura de Jesus Cristo! Jesus Cristo que, todavia,
foi o primeiro a procurar-vos. De fato, o único significado para uma boa
acolhida é levar quem chega a nossos ambientes sagrados a encontrar
Jesus Cristo, o Verbo que Se fez carne e veio habitar entre nós. As
palavras do Prólogo de São João de certo modo deve ser o “cartão de
visita” do ministro que acolhe o seu irmão. “No princípio era o Verbo, o
Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava, ao
princípio, junto de Deus” (Jo 1, 1-2). E diz a grande conclusão: “a
quantos, porém, o acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de
Deus: são os que creem no seu nome”. (Jo 1, 12) O Senhor também, ao
enviar os seus discípulos, vai lembrar-lhes que quem os “acolhe, acolhe
a mim, e quem acolhe a mim, acolhe Aquele que me enviou”.
Assim, aos que buscam o Cristo Senhor nós queremos repetir a exclamação
de Jesus: A paz e a acolhida estejam convosco! Na alegria comunitária de
bem recebermos a todos, de fazermos pontes e nunca destruí-las, que
conclamo a Igreja que peregrina no Rio de Janeiro a incrementar a
acolhida em sua estrutura. Fiéis bem acolhidos são mais dispostos ao
seguimento de Jesus Cristo, e a acolhida gera outras acolhidas. Tornando
toda a Igreja acolhedora, e concretamente acolhendo o fiel com feliz
sorriso, estamos abrindo nosso coração para que o Cristo se manifeste em
cada um que bate em nossas comunidades. Não tenhamos medo de ser alegres
e deixar que a felicidade do Verbo Encarnado alegre nossa bonita Igreja
do Rio de Janeiro que, pelo seu jeito carioca, é alegre e acolhedora!
Fonte: Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
AMAR À DEUS SOBRE TODAS AS COISAS
16/03/10 06:00
Jesus tornou perene os Dez Mandamentos como lei moral. Quando o
jovem lhe perguntou o que era necessário fazer para ganhar o céu, Ele
disse: “Se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos. Não
matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho,
honra pai e mãe” (Mt 19,16-19).
O Primeiro dos Mandamentos se refere a Deus. “Amarás o Senhor, teu Deus,
de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento” (Mt 22,37).
Essas palavras seguem as do Antigo Testamento: “Escuta; Israel, o
Senhor, nosso Deus, é o único” (Dt 6,4-5).
O primeiro preceito abrange a fé, a esperança e a caridade, pois, quando
se fala de Deus, fala-se de um Ser constante, imutável, fiel,
perfeitamente justo. Então, devemos necessariamente aceitar Suas
palavras e ter Nele uma fé e uma confiança plenas. Nossa vida moral
encontra sua fonte na fé em Deus. S. Paulo fala da “obediência da fé” (
“ O justo viverá pela fé” - Rm 1, 17), como da nossa primeira obrigação.
Ele vê no “desconhecimento de Deus” o princípio e a explicação de todos
os desvios morais. De fato, os males deste mundo têm a sua causa mais
profunda numa vida sem Deus, como hoje acontece. O Papa João Paulo II
disse que o homem hoje “vive como se Deus não existisse”; e Bento XVI
disse há pouco que “Deus foi expulso do mundo”.
Como poderemos ser felizes sem o auxílio e proteção de Deus? Expulsamos
Deus das famílias, das escolas, dos clubes, das ruas, das fábricas, das
universidades, das praças, do comércio... e queremos ser abençoados por
Ele? É uma grande incoerência. Ninguém é feliz de verdade se não vive
segundo as santas leis de Deus. “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”,
grita o salmista.
Deus deve ser amado e adorado sobre todas as coisas porque é o
fundamento de todo o universo; tudo o que existe fora do nada foi criado
por Ele; com amor, sabedoria e poder Ele criou todas as coisas a partir
do nada. Deus é Eterno, Incriado, não teve princípio e não terá fim; é
Onisciente, sabe tudo, nada lhe é oculto; é Onipotente, pode tudo, nada
lhe é impossível; é Onipresente, está presente em todo lugar; é amor; é
Pai; é Perfeitíssimo, Nele não há sombra de erro, Ele não pode se
enganar e não pode enganar a ninguém. Deus tem uma Glória infinita, uma
Majestade suprema, a quem todas as criaturas devem reconhecer e se
curvar.
Hoje fala-se bastante dos “direitos do homem”, mas muito se esquece dos
“direitos de Deus”. Esse direito é que prescreve o Primeiro Mandamento.
Ele condena o politeísmo e as formas de idolatria. Amar a Deus é crer e
esperar somente Nele, e amá-l´O acima de tudo. Adorar a Deus, orar a
Ele, oferecer-Lhe o culto que lhe é devido, cumprir as promessas,
obedecer a seus Mandamentos. Crer em Deus é obedecer as leis que Ele nos
ensina através da Igreja Católica que Cristo deixou na terra para salvar
o mundo. Ele disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos
rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me
enviou”. (Lc 10,16).
São faltas graves contra o amor a Deus, contra o Primeiro Mandamento: a
superstição, o ateísmo, a magia, o espiritismo, a idolatria, a simonia
(comércio de funções sagradas), a blasfêmia contra Deus e os santos,
tentar a Deus, recurso a Satanás ou aos demônios para descobrir o
futuro, consulta a horóscopos, necromantes (consulta aos mortos),
cartomantes (consulta a cartas), a quiromancia (leitura da mão), a
interpretação de presságios e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso
a médiuns; porque tudo isso esconde uma vontade de poder sobre o tempo,
sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um
desejo de ganhar para si os poderes ocultos. É o chamado ocultismo (cf.
Lv 19,31; 20,6.9.27; Dt 3,19; 18,9-14). Tais práticas deixam a pessoa
predisposta, aberta para a ação do demônio nela.
Também a feitiçaria, com as quais a pessoa pretende domesticar os
poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder
sobrenatural sobre o próximo - mesmo que seja para proporcionar a este a
saúde - são contra a religião, diz o Catecismo da Igreja (§ 2110 a
2117)A superstição é o desvio do sentimento religioso. É acreditar por
exemplo em sorte dada por uma ferradura colocada na porta, sal grosso
para espantar maus espíritos, bater na madeira para isolar o mal etc. A
ação de tentar Deus consiste em pôr a prova, em palavras ou em atos, Sua
bondade e Sua onipotência. A Igreja ensina que Deus pode revelar o
futuro a seus profetas ou a outros santos. Todavia, a atitude cristã
correta consiste em entregar-se com confiança nas mãos da Providência em
relação ao futuro e em abandonar toda curiosidade doentia a este
respeito. A imprevidência pode ser uma falta de responsabilidade. A
Providência divina não exclui a necessidade dos cuidados humanos contra
os perigos, roubos, acidentes, saúde, segurança etc.
O Primeiro Mandamento manda-nos alimentar e guardar com prudência e
vigilância nossa fé e rejeitar tudo o que é contrária a ela. Há diversas
maneiras de pecar contra a fé: a dúvida voluntária sobre a fé, recusando
ter como verdadeiro o que Deus revelou e que a Igreja propõe para crer.
A incredulidade: não dar crédito para a verdade. A heresia: é o grave
pecado do batizado de negar qualquer verdade que a Igreja ensina, ou a
dúvida pertinaz a respeito dessa verdade. A apostasia: é o repúdio total
da fé cristã. O cisma: é a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice. A
tibieza: é a negligência em responder ao amor de Deus vivendo uma vida
santa. A preguiça espiritual impede uma vida de oração, trabalho para
Deus e para os irmãos.
É justo oferecer a Deus sacrifícios em sinal de adoração e de
reconhecimento, de súplica e de comunhão. Por devoção pessoal, o cristão
pode também prometer a Deus este ou aquele ato, promessa, oração,
esmola, jejum, peregrinação etc. E deve cumprir sua promessa em respeito
à Majestade de Deus.
O Primeiro Mandamento visa também os pecados contra a esperança, que são
o desespero e a presunção. Pelo desespero, o homem deixa de esperar de
Deus sua salvação pessoal, os auxílios para alcançá-la ou o perdão de
seus pecados. A presunção é a pessoa achar que já está salva sem o
auxílio da graça de Deus e da luta contra o pecado.
Também são pecados contra o Primeiro Mandamento: a ação de tentar Deus
em palavras ou em atos, o sacrilégio e a simonia. A ação de tentar a
Deus consiste em pôr Deus à prova, em palavras ou em atos, Sua bondade e
Sua onipotência. Foi assim que Satanás quis conseguir que Jesus se
atirasse do alto do templo e obrigasse Deus, desse modo, a agir. Jesus
opõe-lhe a Palavra de Deus: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16).
O sacrilégio consiste em profanar ou tratar indignamente os sacramentos
e as outras ações litúrgicas, bem como as pessoas, as coisas e os
lugares consagrados a Deus. O sacrilégio é um pecado grave, sobretudo
quando cometido contra a Eucaristia. A simonia é a compra ou a venda de
realidades espirituais. “De graça recebestes, dai de graça” (Mt 10,8). O
ateísmo abrange fenômenos muito diversos: o materialismo prático, de
quem limita suas necessidades e suas ambições ao espaço e ao tempo; o
humanismo ateu que considera que o homem é “seu próprio fim e o único
artífice e dono de sua própria história”. Diz o nosso Catecismo que:
Outra forma de ateísmo contemporâneo espera a libertação do homem pela
via econômica e social, rejeitando a religião como algo alienante.. (cf.
§§ 2123 a 2126). Desde o Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a
instituição de imagens como a serpente de bronze, a Arca da Aliança e os
querubins (Ex 25,18-22). O Concilio de Nicéia (em 787) justificou,
contra os iconoclastas, o culto dos ícones: os de Cristo, mas também os
da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Deus não proíbe as
imagens, mas sim as imagens de ídolos, mas isso a Igreja católica nunca
fez.
Prof. Felipe Aquino
Revista "O Pão da Vida", maio de 2007
C. C. Pantokrator
Anglicanos solicitarão um bispo católico
00:50 - 09/03/2010
Espera-se que 5.200 entrem em comunhão com a Igreja
ORLANDO - Os líderes da Igreja Anglicana nos EUA da Comunhão Anglicana
Tradicional responderam ao convite de Bento XVI a entrar na plena
comunhão com a Igreja Católica.
A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada no mês de
novembro passado, ofereceu aos grupos anglicanos uma maneira de
ingressar na Igreja Católica, através do estabelecimento de ordinariados
pessoais, um novo tipo de estrutura canônica.
Assim, podem conservar elementos de suas tradições litúrgicas e
espirituais e ao mesmo tempo estar unidos sob a autoridade do Papa.
Na quarta-feira passada, a Casa dos bispos da Igreja Anglicana nos
Estados Unidos anunciou que manteve um encontro em Orlando “com nosso
Primaz, o reverendo Christopher Phillips, da paróquia ‘de uso anglicano’
de Nossa Senhora da Expiação (San Antonio, Texas) e outros”.
“Neste encontro – continua o comunicado – tomou-se a decisão formal de
solicitar a aplicação das disposições da Constituição Apostólica
Anglicanorum Coetibus nos Estados Unidos da América, pela Congregação
para a Doutrina da Fé.”
A Anglican Church in America (ACA), que tem 5.200 membros em 100
congregações, é diferente da Igreja Episcopaliana. Não forma parte da
Comunhão Anglicana, que tem como primaz o arcebispo de Cantuária.
A ACA foi criada em 1991 quando alguns membros da Igreja Católica
Anglicana e da Igreja Americana Episcopaliana uniram-se através da
formação de uma nova Igreja. O atual presidente da Casa dos bispos da
ACA é o arcebispo Louis Falk.
A Comunhão Tradicional Anglicana, que tem 400.000 membros em todo o
mundo, tem como primaz o arcebispo John Hepworth, da Igreja Católica
Anglicana na Austrália. Os líderes desta comunhão enviaram uma carta à
Santa Sé em outubro de 2007, para pedir a plena unidade à Igreja
Católica.
Declararam sua adesão à doutrina católica, mas expressaram seu desejo de
conservar algumas tradições anglicanas distintivas.
A carta foi recebida pela Congregação para a Doutrina da Fé, que
respondeu em julho de 2008 com o compromisso de considerar esta
possibilidade.
No ano seguinte, a 20 de outubro de 2009, o prefeito da congregação, o
cardeal William Levada, anunciou a intenção de Bento XVI de criar uma
forma para que estes grupos anglicanos entrassem em plena comunhão com a
Igreja Católica.
Dias depois, a 9 de novembro, foi publicada a constituição Anglicanorum
Coetibus.
Fonte: Zenit
Remédio Espiritual e Corporal
08/03/10 15:15
Dom Eugenio Sales
Arcebispo Emérito do Rio
Toda criatura humana, pressionada pelo sofrimento, procura,
espontaneamente um alívio, um remédio na doença, a cura. Essa reação
natural não exime do dever de avaliar, à luz da fé, a natureza dos
recursos empregados. Igualmente alguém diante do martírio não pode, para
salvar a sua vida, abjurar sua crença. Isso porque os valores que servem
de base ao nosso julgamento são transcendentais à existência atual, que
é transitória. Para nós, o bem supremo é outro e a Ele se deve submeter
tudo mais.
Buscamos - e temos o direito de fazê-lo - tudo que for válido,
moralmente bom ou indiferente, para a preservação de nossa saúde.
Entretanto, temos o dever de não privar um irmão do bem espiritual por
conta de um risco secundário que possa suceder.
Em caso de enfermidades, recorremos a todos os meios eficazes e não
contrários a nossos princípios. Assim o fazemos normalmente, levados
pelo instinto de conservação.
Dentro dessas considerações, não se compreende a relutância em apelar
para a unção dos enfermos, deixando-a, talvez, para os últimos momentos.
Diante dos que sofrem, brotam no coração do homem sentimentos de
compaixão, impulsos para ajudá-lo. Da parte da Igreja, há recomendações
especiais feitas aos pastores.
O sofrimento é a identificação com a fecundidade que promana do
sacrifício da cruz. Completa em nós o que falta à paixão de Jesus, na
expressão de São Paulo, na Carta aos colossenses (1,24): "Agora eu me
regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que
faltar das tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja". Além
dessa perspectiva, mantém-se a luta contra a dor e, ao mesmo tempo,
compreende-se sua função de alerta para as causas, pois é efeito de algo
que não caminha bem. Ela se enriquece sobrenaturalmente pela maior união
a Cristo padecente. Quando indica a aproximação da morte, torna-se um
vestíbulo de onde nos preparamos para sermos recebidos pelo Pai. Na
visão cristã, a existência não nos é tirada, mas transformada na
verdadeira vida.
O Senhor nos acompanha com a sua graça em todos os dias de nosso
peregrinar. Os sacramentos são sinal dessa benevolência para conosco. Ao
nascer, o batismo; ao crescer, a confirmação, e quando doentes,
precisamos da ajuda material e espiritual, o bálsamo da santa unção.
Quanto a este último, que era chamado de extrema unção, foi
identificado, na mentalidade de muitos, como sinônimo da morte
inevitável ou iminente. O Concílio Vaticano II, na constituição
Sacrossanto Concilium (nº 73) propõe nova perspectiva. Afirma que
"também e melhor pode ser chamada unção dos enfermos". E logo adiante:
"o tempo oportuno para receber a unção dos enfermos é certamente o
momento em que o fiel começa a correr perigo de morte por motivo de
doença ou de idade avançada". Infelizmente, esse instrumento da bondade
divina ainda se relaciona com a proximidade do falecimento, na concepção
de muitos cristãos. Esquecem-se que até a idade avançada já é credora da
administração desse sacramento.
Outro lado, talvez desconhecido para os menos versados nesse assunto, é
o seu caráter nitidamente medicinal. Muitos o julgam como uma preparação
ao chamado de Deus, uma ante-sala da casa do Pai. Certamente o é. Há,
todavia, outro objetivo. Diz o Concílio na Constituição Lumen gentium
(nº 11): "Pela sagrada unção dos enfermos e pelas orações dos
presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor
sofredor e glorificado para que os alivie e salve".
A justa e intensa busca dos meios humanos para curar faz esquecer essa
oportunidade que o Senhor nos oferece. Nesse momento, poderá também
surgir como um valioso remédio para o corpo, cujo benéfico efeito muitos
já constataram. A bênção do óleo com essa finalidade suplica "para todos
que com ele foram ungidos, proteção do corpo, da alma e do espírito,
libertando-os de toda dor, toda fraqueza e enfermidades".
A fórmula sacramental inclui: "Ele te salve e te alivie os teus
sofrimentos" e, na prece que se segue, pede-se plena saúde, a fim de que
restabelecido "possa retomar as suas atividades". Eis o verdadeiro
sentido e o extraordinário poder curador da unção dos enfermos.
Procura-se freneticamente a medicina e até outros recursos; luta-se com
sacrifício para proporcionar alívio e recuperação da saúde, mas nem
sempre se utiliza esse veículo da misericórdia divina. Caminha-se ao
largo, quando ao alcance da mão está a força do Onipotente. Teme-se
afligir os parentes ou angustiar o enfermo, e, assim, perde-se um
remédio salutar, que deve ser ministrado em tempo oportuno. Peca-se por
não se cumprir um dever. Outras vezes, espera-se pelos últimos momentos,
quando a consciência do paciente já desapareceu. Com isso, registra-se
uma dupla perda: o efeito sobre o corpo só poderá advir por milagre,
foge da ordem habitual da providência; a recepção frutuosa desse
sacramento, sua principal e primária finalidade, ficou, em parte,
esvaziada.
A vida temporal passa, mas a verdadeira é eterna. Devemos empregar os
meios a nosso dispor para uma adequada preparação à existência
definitiva. Assim, cantaremos vitória sobre a morte que se transforma em
sinônimo de um lugar na casa do Pai.
O Sacramento do Matrimônio
08/03/10 15:04
INTRODUÇÃO
Falava uns dias atrás com um amigo, um pouco mais velho do que eu.
Na conversa, apareceram coisas de quando éramos pequenos. Um pouco
emocionado me disse: Ainda recordo quando, sendo criança, minha mãe
dava-me um beijo antes de dormir, depois de ajudar-me a rezar as orações
da noite. Eu vivia contente e feliz por sentir-me amado por minha mãe.
Meu pai também tinha detalhes que me agradavam muito. No inverno, junto
ao fogo, sentava-me em seu colo. Então, contava-me muitas coisas de suas
viagens, de quando era jovem e o quanto teve que trabalhar para levar
adiante sua vida. Recordo aqueles momentos com muitas saudades. Ficava
esperando meu pai voltar do trabalho, com a expectativa de que me
contasse muitas histórias.
E como estão seus pais, agora? - lhe perguntei. Estão muito velhos, me
disse; minha mãe está bem doente, já não se levanta mais da cama. Os
dois vivem comigo. Meu pai, quando estou no trabalho, cuida dela com
todo o amor e carinho. O amor destes pais para com seu filho, e os
detalhes de amor que tinham entre si estes esposos, nos fazem pensar na
grandeza do sacramento do Matrimônio. Sabemos agradecer o que nossos
pais fazem ou já fizeram por nós? Ajudamos-lhes em suas necessidades?
Procuramos tornar-lhes a vida mais agradável? Lembramos de rezar por
eles todos os dias?
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. Instituição do matrimônio no paraíso terrestre
O livro do Gênesis ensina que Deus o ser humano, homem e mulher, com o
encargo de procriar e multiplicar-se: Homem e mulher os criou, e Deus os
abençoou dizendo-lhes: Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra
(Gênesis 1,27-28). Assim, Deus instituiu o matrimônio, e o instituiu,
tendo como fim principal para que tivessem filhos e educassem-nos; e
como fim secundário, para que os esposos se ajudem entre si: - porque
não é bom que o homem esteja só, vou fazer-lhe uma ajuda semelhante a
ele? (Gênesis 2,18).
Como conseqüência, o matrimônio é algo sagrado por sua mesma natureza, e
os esposos são colaboradores de Deus participando do poder divino de dar
a vida, ao preparar o corpo dos novos seres nos quais Deus infunde a
alma criada a sua imagem e semelhança, destinados a dar-lhe glória e a
gozar com Ele no céu.
2. O matrimônio, sacramento cristão
Jesus Cristo elevou à dignidade de sacramento o matrimonio
instituído no início da humanidade. O matrimônio entre cristãos é a
imagem da união de Jesus Cristo com sua Igreja. A tradição cristã viu na
presença de Jesus nas bodas de Caná uma confirmação do valor divino do
matrimônio. Portanto, entre cristãos, só existe um verdadeiro
matrimônio: o que Jesus Cristo santificou e elevou à dignidade de
sacramento. Por isto, nenhum católico pode contrair tão somente o
chamado matrimônio civil. Tal união não seria válida, já que não tem
maior valor do que o de uma simples cerimônia legal perante a lei civil.
Entre católicos só é válido o matrimônio-sacramento contraído perante a
Igreja.
3. As propriedades do matrimônio
O matrimônio, tanto na condição de instituição natural como na de
sacramento cristão, está revestido de duas propriedades essenciais: a
unidade e a indissolubilidade.
Unidade quer dizer que o matrimônio é a união de um só homem com uma
única mulher. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá
à sua mulher, e serão os dois uma só carne? (Gênesis 2,24).
Indissolubilidade quer dizer que o vínculo conjugal não pode desatar-se
nunca: O que Deus uniu o homem não o separe, diz o Evangelho (Mateus
19,6; 5,32; Lucas 16,18). O divórcio, pois, está proibido. Deus assim o
quis por várias razões: pelo bem dos filhos; pelo bem, a felicidade e a
segurança dos esposos, que desaparece quando o divórcio é introduzido
nas sociedades; pelo bem de toda a sociedade humana, pois a humanidade
se compõe de famílias, e quanto mais sólidas e estáveis sejam, maior
será a ordem e o bem estar da sociedade e dos indivíduos.
4. Efeitos do sacramento do matrimônio
O sacramento do matrimônio aumenta a graça santificante naqueles que
o recebem. É necessário recebê-lo, pois, em estado de graça; senão,
comete-se um sacrilégio, ainda que o matrimônio seja válido. Também
comunica os auxílios especiais que os esposos necessitam para
santificar-se dentro do matrimônio, para educar seus filhos e cumprir os
deveres que contraem ao casar-se. Estes deveres são para com eles
mesmos: amar-se e respeitar-se, guardar a fidelidade e ajudar-se
mutuamente; em relação aos filhos: alimentá-los, vesti-los, educá-los
religiosa, moral e intelectualmente e assegurar seu futuro. Os ministros
do sacramento sãos os mesmos contraentes; contudo, deve ser celebrado
ante testemunhas, perante o pároco ou um seu delegado. Senão, o
casamento é inválido.
5. O matrimônio, caminho de santidade
O sacramento do matrimônio concede aos esposos as graças necessárias
para que se santifiquem e santifiquem os outros. É dever de toda a
família e também dos filhos, facilitar este clima humano e cristão,
através do qual se consegue que os lares sejam luminosos e alegres,
sacrificando-se para se obter as virtudes humanas e sobrenaturais de uma
família que começou santificada com um sacramento.
6. Propósitos de Vida Cristã
- Esforçar-se por tornar agradável a vida das pessoas da própria
família.
- Estimar muito este sacramento e ajudar a que os demais o entendam e
também agradeçam a Deus.
Autor: Dom Antônio Carlos Rossi Keller - 5/3/2010
Você Entende o que é o Mistério da Redenção?
08/03/10 15:00
O ponto central da fé cristã é a Redenção, realizada por Jesus
através de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. E o Senhor quis perpetuar a
celebração da nossa Redenção pela santa Missa. "Eis o mistério da fé", o
sacerdote diz após a Consagração, quando então o Calvário vivo se renova
sobre o altar, embora de maneira incruenta. E o Senhor que continua a
salvar os homens de todos os tempos e lugares.
Jesus veio ao mundo, assumindo nossa natureza, para resgatar-nos da
escravidão do pecado, do sofrimento e da morte eterna. Fazendo-se homem,
Ele estava em condições de salvar o homem.
Mas, em que consiste essa salvação? Parece-me que esse é um ponto mal
esclarecido e pouco ensinado aos fiéis, o que faz com que a maioria,
infelizmente, não chegue a compreender bem o verdadeiro "mistério da fé"
e não possa saborear com entusiasmo as riquezas de nossas celebrações
litúrgicas, especialmente as do tempo pascal.
A Tradição e o Magistério da Igreja nos asseguram que o homem foi criado
por Deus, por amor, para ser plenamente feliz n'Ele (cf. Cat §1). Mas,
com o pecado original - pecado de desobediência e de soberba - o homem
perdeu a vida divina e os dons preter-naturais, principalmente a
imortalidade. Com o pecado, que não estava nos planos de Deus, entraram
na vida do homem o sofrimento e a morte. São Paulo disse que: "O salário
do pecado é a morte" (Rom 6,23) e que "o pecado entrou no mundo, e pelo
pecado, a morte, assim a morte passou a todos os homens" (Rom 5,12).
O pecado original é dogma de fé, e a Igreja combateu no século V,
principalmente através de Santo Agostinho, a heresia do frade Pelágio (o
pelagianismo), que negava a natureza decaída pelo pecado original e,
como conseqüência, a necessidade da graça redentora de Cristo. Se não
houvesse o pecado original, Cristo não precisaria ter morrido na cruz
por nós. E por causa desse pecado que Santo Agostinho dizia: "O' feliz
culpa que nos fez receber um tão grande Salvador."
O Catecismo da Igreja diz que: § 397 - "O homem, tentado pelo Diabo,
deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador (Gn 3,1-11) e,
abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto
que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado, daí em diante,
será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade."
E mais: §389 - "A doutrina do pecado original é, por assim dizer, "o
reverso" da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de
que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a
todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe
perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado
original sem atentar contra o mistério de Cristo."
A melhor explicação para o entendimento do "mistério da Redenção",
encontrei nos Sermões sobre o Natal e a Epifania, de São Leão Magno,
Papa e doutor da Igreja (440-461), conselheiro sucessivamente dos papas
Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440), contemporâneo de Santo
Agostinho. Vou deixar que ele mesmo, com suas palavras inspiradas, nos
ensine sobre nossa Redenção. Começa dizendo:
"Gloriava-se o demônio porque o homem, enganado por seu ardil, estava
privado dos dons divinos e, despojado da imortalidade, encontrava-se
sujeito a uma dura sentença de morte; assim, tendo um companheiro de
prevaricação, encontrava algum alívio em seus males (.)."
Em seguida São Leão Magno afirma que a razão profunda no fato de Cristo
ter querido nascer de uma virgem foi "a de ocultar ao demônio que a
salvação nascera para os homens, a fim de que, ignorando a geração
espiritual, não julgasse que havia nascido de modo diferente aquele que
via semelhante aos outros. Notando que Sua natureza era igual a de
todos, supunha que Sua origem fosse a mesma; e não percebeu que estava
livre dos laços do pecado aquele que não encontrou isento da fraqueza
dos mortais. Deus, que em Sua justa misericórdia dispunha de múltiplas
maneiras de restaurar o gênero humano, escolheu esse meio de salvação
que, para destruir a obra do demônio, não recorreria a Seu poder; mas ã
Sua justiça. Pois o antigo inimigo, em seu orgulho, reivindicava com
certa razão seu direito à tirania sobre os homens e oprimia com poder
não usurpado aqueles que havia seduzido, fazendo-os passar
voluntariamente da obediência aos mandamentos de Deus para a submissão à
sua vontade. Era portanto justo que só perdesse seu domínio original
sobre a humanidade sendo vencido no próprio terreno onde vencera".
E São Leão Magno continua: "Conhecendo o veneno com que corrompera a
natureza humana, jamais (o demônio) julgou isento do pecado original
aquele que, por tantos indícios, supunha ser um mortal. Obstinou-se pois
o salteador imprudente e cobrador insaciável em se insurgir contra
aquele que nada lhe devia; mas, ao perseguir n'Ele a falta original
comum a todos os outros homens, ultrapassa os direitos em que se
apoiava, exigindo daquele em quem não encontrou vestígio de culpa a pena
devida ao pecado. Fica portanto anulada a sentença (cf. Cl 2,14) do
pacto mortal que ele havia maldosamente inspirado e, por ter exigido
contra a justiça além do que era devido, todo o débito é cancelado.
Aquele que era forte é amarrado com seus próprios laços. (.) O príncipe
deste mundo é acorrentado, são-lhe tirados seus instrumentos de captura
(.) a morte é destruída por outra morte, o nascimento renovado por outro
nascimento, porque ao mesmo tempo a redenção põe fim a nosso cativeiro,
a regeneração transforma nossa origem e a fé justifica o pecador."
O pecado de cada homem e de toda a humanidade ferem a Majestade Infinita
de Deus; então, não basta uma reparação de valor humano para reparar a
Justiça Divina. Não havia um homem sequer que pudesse oferecer à Justiça
Divina uma reparação suficiente. Então, o Filho de Deus se fez homem, se
ofereceu para reparar diante dessa Justiça todo o pecado da humanidade.
Deus é misericordioso, mas é Justo; e todo o mal precisa ser reparado; é
uma exigência de Sua Justiça. Não é Deus quem exige o Sacrifício do
Filho ùnico e amado, mas a Justiça divina sobre a qual mundo foi criado.
A Carta aos Hebreus explica isso: "Eis por que, ao entrar no mundo,
Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um
corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu
disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do
livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse
primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios
nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer
dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para
fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma
nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido
santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.
Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e
repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem
apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e
logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus." (Hebreus
10,5-12).
Autor: Professor Felipe Aquino - 5/3/2010
Superstição: deixar de confiar em Deus
27/02/10
10:20
Quantas pessoas entram em lugar somente com o pé direito, comem
lentilhas para pedir prosperidade, usam o branco para atrair bons
fluidos, vestem sempre determinada roupa para dar boa sorte, penduram
ferradura atrás da porta, batem na madeira para afastar o azar, não
fazem nada no dia 13 e evitam qualquer coisa ligada a esse número...
Para não falar da "maldição" causada por gatos pretos, por passar
debaixo de uma escada ou quebrar um espelho. Essas e outras práticas
revelam uma falta de confiança em si e principalmente nos cuidados de
Deus. Chama-se a isso de superstição.
A superstição é a crença de que certas obras, objetos ou números têm
força para dar sorte ou azar. Quanto menos uma pessoa conhece e vive o
amor de Deus, tanto maior são as suas superstições.
Fé e superstição são duas realidades completamente diferentes. Por quê?
A fé está alicerçada nas promessas de Deus: " A fé é o fundamento da
esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê" (Hb 11,1). Os
heróis da Bíblia são apresentados como homens e mulheres que "graças a
sua fé (em Deus) conquistaram reinos, praticaram a justiça, viram se
realizar as promessas" (Hb 11,33).
No Catecismo da Igreja Católica, a superstição é apresentada como um
pecado contra o primeiro mandamento da lei de Deus: "A superstição é o
desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar
também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, como por exemplo quando
atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas,
em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente
à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em
conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição" (CIC
2111).
A superstição cria medo na pessoa, levando-a a confiar em coisas e não
em Deus.
*Artigo extraído do livro "Católico pode ou não pode? Por quê?" de Pe.
Alberto Gambarini, Edições Loyola, 2005.
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27/02/10
10:20
O Espírito Santo lhes dará força e poder
Pentecostes é constitutivo do Mistério Pascal e sem ele a graça da
Salvação não avançaria, pois os discípulos não teriam a coragem nem a
sabedoria para dar continuidade à Missão Salvífica do Senhor Jesus. Foi
necessário então que Cristo enviasse o Espírito Santo sobre os
discípulos cumprindo assim a Promessa do Pai feita pela boca dos
Profetas. "Portanto, exaltado pela direita de Deus, Ele recebeu do Pai o
Espírito Santo prometido e derramou-O, e é isto o que vedes e ouvis" (At
2, 33). Pedro disse estas palavras à multidão reunida no dia de
Pentecostes.
Jesus enviou-nos o Espírito Santo para nos dar poder e autoridade, a fim
de podermos dar continuidade à Sua missão no mundo. Por isso, devemos
permitir que o Espírito Santo seja ativo nas nossas vidas, devemos
abrir-nos às Suas inspirações que nos motivam a espalhar pelo mundo a
Boa Nova da Salvação de Cristo: "Mas descerá sobre vós o Espírito Santo
e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a
Judéia e Samaria e até os confins do mundo."(At 1, 8).
O Espírito continua sendo derramado sobre a humanidade para que a boa
nova se espalhe e o mesmo Espírito concede os carismas que atestam a
mensagem: o dom das línguas, dos milagres, de profecia, de sabedoria,
etc. O Espírito dá força para que, apesar das perseguições, proclamemos
que Jesus é o Messias e d'Ele demos testemunho.
Através dos milagres e sinais a pregação é confirmada e o povo
identifica a presença do Messias em seu meio e passam a crer no
Evangelho anunciado. Os milagres e sinais são necessários na
evangelização e constituem um dos elementos do Ministério de Jesus que
são o Anúncio e os Milagres. Quando os discípulos de João Batista
indagam Jesus se Ele era o Messias, a resposta de Jesus é direta: "Ide e
contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos vêem, os coxos
andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o
Evangelho é anunciado aos pobres..." (Mt 11,4-5).
Também a nossa evangelização deve ser acompanhada destes sinais, pois
foi desta maneira que o Senhor enviou seus discípulos e extensivamente
enviou a todos nós os batizados quando ordena: "Ide por todo o mundo e
pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo,
mas quem não crer será condenado. Estes milagres acompanharão os que
crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará
mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados." (Mc
16,15-18).
É pelo poder do Espírito Santo que a conversão é possível, que o milagre
acontece, que a cura ocorre. A água viva do Espírito sacia os sequiosos,
os amargurados, os pobres que anseiam por ouvir a boa nova ser-lhes
proclamada. O mundo precisa perdoar, ultrapassar a vergonha e a culpa do
passado, precisa ter paz interior para realmente poder viver. O mundo
precisa de esperança, esperança por uma vida melhor, esperança pelo fim
da guerra, da pobreza, da injustiça, pelo fim do aborto, da eutanásia; o
mundo precisa de esperança pela verdadeira paz e pela alegria, o mundo
precisa de esperança pelo céu.
Nesta cultura individualista e materialista que vivemos muitos passam
por grandes dificuldades, mas frequentemente resistem àquilo que é
melhor para si e procuram soluções em todo lugar exceto em Deus. O
ateísmo, o consumismo, a tecnologia e a ciência tentam substituir Deus
no coração das pessoas. Quando vemos tantas famílias não praticantes,
quando vemos os filhos não seguirem a fé dos pais, quando vemos a
decadência moral e o domínio de valores não cristãos, estamos a olhar
para um mundo que necessita desesperadamente de ouvir a Boa Nova da
salvação em Jesus Cristo.
E quem é que deve proclamar a Boa Nova? Quem deve testemunhá-la? Será
que estamos deixando para os outros o ministério que leva à salvação? A
missão de Jesus, continuada pelo Espírito, precisa de homens e mulheres
de corações abertos e que não impõem resistências à Sua ação para
transmitirem a Boa Nova que leva à vida eterna.
No dia de Pentecostes, Jesus deixou apenas cento e vinte discípulos na
sala do Cenáculo. Mas a experiência do Pentecostes e a pregação de Pedro
acrescentaram ao rebanho cerca de três mil; e o número continuou a
crescer por causa do testemunho que eles davam: "Com grande poder, os
apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor e todos tinham
grande aceitação" (At 4, 33). O poder do Espírito Santo era evidenciado
por milagres, sinais e prodígios que então ocorriam.
Da mesma forma, também nós nos dias de hoje precisamos testemunhar a
ação do Espírito Santo em nossas vidas. Assim aqueles que estão
desorientados e buscando soluções para suas vidas poderão encontrá-las
onde realmente elas existem: No Senhor Jesus! Mas para isso não bastam
apenas discursos, as pessoas precisam ver em nós os sinais do Reino,
precisam de argumentos poderosos que as livrem da cegueira que se
encontram e muitas vezes serão necessários, além da pregação, os sinais,
os prodígios e os milagres tal qual ocorreu no tempo dos primeiros
cristãos. E por isso, também como eles poderemos orar: "Agora, pois,
Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com
todo o desassombro anunciem a vossa palavra. Estendei a vossa mão para
que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso
santo servo!" (At 4, 29-30)
Quando o Espírito de Deus se move dentro de nós e através de nós,
proclamamos que Jesus é o Senhor e tomamos o nosso devido lugar como
servos de Deus Todo-Poderoso.
........................................................................
A Natureza dos Anjos.
27/02/10 10:00
Quem são os Anjos? Para que Deus os criou? Como sabemos de sua
existência?
A existência dos Anjos é uma verdade de fé, continuamente professada
pela Igreja, que faz parte, desde sempre, do tesouro de piedade e da
doutrina do povo cristão. A Igreja os venera, os ama e são "motivo de
doçura e ternura" (João XXIII, 9-VIJI-196 1).
Os anjos são seres espirituais, pessoais e livres; dotados, portanto, de
inteligência e vontade, criados do nada por Deus.
Deus criou os anjos para que o louvem, o obedeçam e o sirvam; além
disso, para fazê-los eternamente felizes e para que ajudem e guiem a
cada pessoa, a cada família, nação, instituição e muito especialmente à
Igreja.
A Existência dos anjos.
Conhecemos sua existência porque Deus a revelou. Assim no Antigo
Testamento, nos diz que fecharam o paraíso terrestre depois do pecado de
Adão e Eva; protegeram Lot em Sodoma; salvaram Agar e seu filho Ismael
no deserto; anunciaram a Abraão e Sara que teriam seu filho Isaac;
assistiram ao profeta Elias.
No Novo Testamento, nos diz que avisaram a Zacarias sobre o nascimento
de São João Batista; São Gabriel anunciou à Virgem Maria que seria a Mãe
do Redentor; louvaram a Deus pelo nascimento de Cristo; revelaram a São
José o mistério da encarnação, confortaram Jesus em sua agonia no Horto
do Getsêmani; apareceram na ressurreição de Jesus e em sua ascensão ao
céu.
Crer na existência dos anjos é uma verdade de fé. Assim defiriiu o
Magistério da Igreja: "Deus criou do nada uma e outra criatura, a
espiritual e a corporal, isto é, a angélica e a humana (...)" (Concílio
de Latrão e Concílio Vaticano 1).
Quem nega sua existência com persistência, sabendo que é dogma de fé,
comete pecado mortal e incorre em excomunhão (cf. Código do Direito
Canônico, canon 1364).
Dotados de uma natureza mais perfeita que a humana, esses espíritos
puros foram criados para dar glória a Deus, reger o mundo material e
serem poderosos auxiliares dos homens em vista de sua salvação eterna.
Em um êxtase, Santa Maria Madalena de Pazzi viu uma religiosa de sua
Ordem (Cannelita ser retirada do Purgatório e levada ao Céu por seu Anjo
da Guarda. E Santa Francisca Romana viu seu Anjo da Guarda conduzir ao
Purgatório, para ser purificada, uma alma a ela confiada. O espírito
celeste permaneceu fora daquele lugar de purificação, para apresentar ao
Senhor os sufrágios oferecidos por aquela alma. E, ao serem aceitos por
Deus, essa alma era aliviada de suas penas. (1)
Os anjos da guarda.
Depois de nascer, o homem recebe de Deus um desses angélicos guardiães,
que o acompanhará durante a vida, protegendo-o e comunicando-lhe boas
inspirações. Se a pessoa houver vivido segundo a Lei de Deus, ao ponto
de santificar-se e ir diretamente ao Céu, o Anjo da Guarda a conduzirá a
este lugar santo. Caso contrário, e o que é mais provável, ela precisa
purificar-se no fogo do Purgatório, o anjo a conduzirá depois ao Paraíso
Celestial. Ou, caso contrário, se houver rechaçado suas inspirações e
moções, condenando-se para todo o sempre, o deixará às portas do
inferno.
O anjo só passa a guardar uma pessoa depois que este nasce. Isto porque,
desde o momento da concepção até o nascimento do novo ser, o Anjo da
Guarda da mãe cuida também da criança, assim como quem guarda uma árvore
carregada de frutos, junto com a árvore cuida também dos frutos (2).
Temos necessidade de celestial proteção angélica. Nossa alma imortal
está destinada a ser, no futuro, companheira dos anjos e de ocupar ao
seu lado, no Céu, um dos tronos que ficaram vazios pela queda daqueles
anjos puros que se rebelaram contra Deus, transformando-se em demônios.
Tal necessidade, sobretudo, provém da própria fraqueza humana para
alcançar este objetivo. Que empenho não terá o demônio para que um
recém-nascido não receba as águas regeneradoras do Santo Batismo? Muitas
vezes também procurará causar-nos males fi'sicos:
"A função principal do anjo da guarda é iluminar-nos em relação à
verdade e à sã doutrina". Porém sua proteção traz também muitos outros
efeitos, tais como: reprimir os demônios e impedir que nos sejam
causados danos espirituais ou corporais". Eles rezam por nós e oferecem
nossas orações a Deus, tornando-as mais eficazes por sua intercessão (Ap
8,3; Tb 12,12). Sugerindo-nos bons pensamentos, incitando-nos a fazer o
bem (At 8,26; 10,3ss). Do mesmo modo, quando nos inflingem penas
medicinais para corrigir-nos (2Sm 24,16). E o mais importante de tudo
quando nos assistem na hora de nossa morte, fortalecendo-nos contra
supremos assaltos do demônio" (3).
Algumas almas muito seletas, que conservaram intacta sua inocência e
pureza batismal ao longo da vida, por especial privilégio de Deus
tiveram a graça de ver seu Anjo da Guarda. Assim aconteceu com São
Geraldo Magela, Santa Francisca Romana, Santa Gema Galgani e outros
santos.
Valiosos conselheiros celestes.
Os Anjos da Guarda são nossos conselheiros, inspirando-nos santos
desejos e bons propósitos. Evidentemente, o fazem no interior de nossas
almas, se bem que, como vimos, tenham existido almas santas que
mereceram deles receber visivelmente conselhos celestiais.
Intrépidos guerreiros do exército celestial.
Guerreiros angélicos - tanto no Antigo como no Novo Testamento - às
vezes, se unem também aos homens contra os inimigos do Senhor. Assim,
por exemplo, ajudaram a Judas Macabeus em uma batalha decisiva. Outras
vezes auxiliaram aos soldados das cruzadas contra os mulçumanos, como
foi narrado nas crônicas das Cruzadas.
Na Sagrada Escritura, o próprio autor dos Atos dos Apóstolos afirma: "O
Senhor Deus dos Exércitos freqüentemente envia também seus guerreiros
para livrar seus amigos das mãos dos ímpios" (At5,18-20; 12,1-11).
Protetores dos homens, mensageiros de Deus.
No livro de Daniel (10,13-21), o Arcanjo São Miguel defendeu os
interesses dos israelitas contra o anjo protetor da Pérsia. No
Apocalipse, São joão se refere à vitória desse Arcanjo contra o demônio
e seus sequazes. Mais recentemente, lemos na autobiografia de Santo
Antonio Maria Claret, que, certo dia, estando ele sozinho no coro do
Monastério de Escorial, viu Satanás que esperneava com grande raiva e
despeito, por haver-se frustrado alguns de seus planos em relação aos
estudantes. Ouviu então a voz do Arcanjo São Miguel que lhe disse:
"Antonio, não temas. Eu te defenderei". São Gabriel foi o grande
mensageiro como embaixador de Deus, não só na Anunciação à Nossa
Senhora, e, ainda, segundo o parecer de muitos teólogos, também apareceu
junto a São Zacarias, para anunciar-lhe o nascimento de São João
Batista. E junto a São José, a quem apareceu três vezes em sonhos: para
anunciar a concepção divina de Maria, recomendar a fuga para o Egito e o
retorno, depois da morte de Herodes.
A missão de São Rafael junto ao jovem Tobias é detalhadamente descrita
na Bíblia. já em tempos posteriores, se assinalam muitas de suas
intervenções, assim como a salvação eterna do tesoureiro de um rei da
Polônia, pelo ato de que o protegido lhe tinha grande devoção; e o ter
livrado das mãos de assaltantes a um burguês de Orleans que a ele se
encomendava, em uma peregrinação a Santiago de Compostela (10). Conta-se
sobre uma humilde Madre de Florença que, havendo sido eleita Abadessa de
seu monastério, além de seu Anjo da Guarda, recebeu um a mais para
ajudá-la no governo de sua comunidade. Ela compôs para suas religiosas
uma oração simples, pedindo a guarda dos sentidos, oração em que se nota
muito a influência do espírito de cavalaria da época:
"Bons anjos, meus constantes protetores: guardai todas vias e vigiai com
todo cuidado a porta de meu coração, de maneira que eu não seja
surpreendido por meus inimigos. Brandi diante mim vossa espada
protetora! Guardai também a porta de mi boca para que nenhuma palavra
inútil escape de meus lábios! Que minha língua seja corno urna espada,
quando foro caso de combater os vícios ou de ensinar a virtude! Fecha
meus olhos com um duplo selo quando eles quiserem ver com complascência
outra coisa que seja Jesus. Mas tê-los abertos e despertos quando for
para rezar e cantar louvores ao Senhor. Vigiai também a porta dos meus
ouvid.os, afim de que eles repilam, sempre com desgosto, tudo o que vem
da vaidade ou do espírito domei. Colocai cadeias nas meus pés quando
eles quiserem pecar. Porém acelerai meus passos quando se trate de
trabalhar para a glória de Deus ou da Santa Virgem Maria, ou da salvação
das almas! Fazei que minhas mãos sejam sempre como as vossas, prontas
para executar as ordens de Deus, Apagai em mim o olfato do corpo, afim
de que minha não aspire mais que o suave perfume das flores celestes. Em
uma palavra, guardai todos os meus sentidos, de maneira que minha alma
se deleite constantemente em Deus e com as coisas celestes. Meus anjos
bem-amados: fui colocada sob a vossa guarda pelo doce Jesus; eu vos
suplico que me guardeis sempre c cuidado por amor a ele; á meus anjos
bem-amados, eu vos peço que me conduzam um dia à presença Dele no Reina
dos Céus, e de suplicar-Lhe que eu seja colocado nos braços do Divino
Menina Jesus, seu Filho bem-amado"(l 1).
"Dotados de uma natureza mais perfeita que a humana, esses espíritos
puros foram criados para dar glória a Deus, reger o mundo material e
serem poderosos auxiliares dos homens em vista de sua salvação eterna".
Qual é a natureza desses espíritos puros?
Os anjos são seres puramente espirituais, dotados de inteligência,
vontade e livre-arbítrio, elevados por Deus a ordem sobrenatural, isto
é, chamados pela era: a participar na vida de Deus através da visão
beatífica. Muitíssimo mais perfeitos que os homens, sua inteligência é
humanamente inconparável e sua vontade imensamente poderosa. Como não
tem dependência alguma da matéria, seu conhecimento:o é
consideravelmente mais perfeito que o do homem para eles, ver já é
conhecer. E conhecer significa compreender a coisa em toda a
profundidade que são capazes em sua substancia, e sem possibilidade de
erro. Por isso , a prova, paea eles, teve consequencia imediata e
irremediável. Pois seu querer é absoluto, sem voltar atrás. Aquilo que
querem, ou desejam, é para todo o sempre.
Daí o ato de que, depois da prova, terem passado imediatamente à
aternidade do inferno (os demônios), como também ao Céu (os anjos bons).
Deus criou anjos para conhecê-lo, amá-lo, servi-lo e proclamar suas
grandezas, executar suas ordens, governar este universo e cuidar da
conservação das espécies e dos indivíduos que ele contém.
CONCLUSÃO - Devoção e fidelidade aos anjos
Evidentemente, todas essas maravilhas do mundo angélico deveriam
levar-nos a um profundo amor, reverência e gratidão especialmente para
com nosso Anjo da Guarda, evitando tudo aquilo que possa desgarrá-lo,
como são nossos pecados.
"Como te atreverias a fazer na presença dos anjos aquilo que não farias
estando eu diante de você?", nos interpela o grande São Bernardo. E
deveríamos fazer tudo o que sabemos para alegrar nosso Anjo da Guarda,
pois só assim estaremos trabalhando efetivamente para nossa própria
santificação e salvação.
A reverência ao seu Anjo da Guarda levava a Santo Estanislau Kostka, que
o via constantemente, a esta gentil delicadeza: quando ambos deviam
entrar por uma porta, ele pedia Ao anjo que passasse antes. E como este,
às vezes, recusasse, insistia com ele até que cedesse (15).
Quem dera que tantos e tão belos exemplos nos sirvam corrigir nossa
idéia e visão dos seres puros como para reverenciar e aumentar nossa
devoção a esses bem-aventurados espíritos angélicos que Deus, em sua
misericórdia, nos concedeu como guardiães, conselheiros, protetores e
mensageiros - especialmente valiosos no mundo neo-pagão em que vivemos,
com visitas à obtenção da vida celeste.
Notas
1 - Cf. Deharde, na obra de P. Ramón 1. de Muãana, Verdade e Vida,
Editora El
Mensajero dei Corazóri de Jesãs, Bilbao, 1947, tomo 1, p. 233.
2 - Cf. Dr. Eduardo Maria Viiarrasa, La Leyenda de Oro, L. Gonzãlez y
Compa fita
- Editores, Sa edição, tomo 1, p. 497.
3 - Punia Maria Solimeo, Os Santos Anjos, Nossos Celestes Protetores,
Coleção
Catolicismo n~ 2,1997, pp. 63, 64.
10- Cf. Les Petits Boilandistes, op. cit., t. Xl, pp. 501-502.
11 - Id. 1h., tomo VI, pp. 109, 110.
12 - Monsenhor Gaume, Tratado deI Espiritu Santo, tradução espanhola de
Dom
loa quin Torres Asensio, lmp. Y Lib. Espaftoia de Dom José López de
Guevara,
Granada, 1877, t. 1, p. 116.
13- Id. 1h. p. 116.
14- Cf. Les Petits Bollandistes, op. cit., t. X1, 501-502.
15- Cf. V Agustin, Vida de San Estanislao de Kostka, p. 308, da obra de,
Pe.
Mutiana, op. cit., p. 230.
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